METALÚRGICOS DA REGIÃO SÃO ANISTIADOS

A VOZ DA CIDADE  01/11/08

 

Nove trabalhadores recebem anistia; outros processos serão julgados dentro de 30 dias

 

 

 

Uma vitória para os trabalhadores. Foi dessa forma que o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Renato Soares, definiu o julgamento dos processos dos anistiados do município. O julgamento aconteceu durante todo o dia de quinta-feira em Brasília pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e foi concedida a anistia para nove trabalhadores.


No total são 42 metalúrgicos da região com processos na Comissão de Anistia, sendo julgados na quinta-feira 22 deles. Os outros processos ficaram de ser analisados daqui a 30 dias. Os processos são sobre os ex-funcionários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) que foram demitidos entre o final da década de 80 e o início de 1990. Muitos metalúrgicos foram à capital federal para acompanhar o julgamento dos recursos.


Dos processos julgados, para nove foram concedidos anistia: Vagner Barcellos, Luizinho, Bartholomeu Citelli, Isaque Fonseca, Mauro Coelho, Márcio Domício, Gilberto Caldas e José Ventura de Oliveira e Liberato, que além de sindicalistas, eram militantes da Juventude Operária Cristã.


Na tarde da quarta-feira, antes dos metalúrgicos irem a Brasília acompanhar o julgamento, o A VOZ DA CIDADE conversou com eles sobre a expectativa, inclusive com José Ventura de Oliveira, 67 anos, como na matéria publicada na edição de quinta-feira. Na ocasião, Ventura disse que a luta teve início em 1987 através de um grupo de trabalhadores que teve reforço logo após a Constituinte de 1988. Ele lembrou ainda que desde 2006, quando o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense trocou a direção, o movimento ganhou mais força.


De acordo com Ventura, foi a primeira vez que um número grande de processos é julgado de uma só vez. Isso aconteceu, segundo ele, pelo importante empenho da atual direção do sindicato. Ele citou também outras personalidades que sempre participaram dessa luta, como o bispo emérito dom Waldir Calheiros.


Outro sindicalista que conseguiu a anistia foi o assessor do presidente da entidade, Bartolomeu Citeli. Segundo ele, a preocupação era grande. “Estávamos preocupados, pois houve mudanças na Comissão. Entraram novos conselheiros que nos deixaram apreensivos, principalmente por serem mais novos”, declarou, salientando que a preocupação era de uma interpretação diferenciada. “Mas deu tudo certo. Alguns foram retirados de pauta pela falta de alguns documentos, mas foi uma vitória os que já foram julgados e conseguiram a anistia. Essa é uma luta que vem de longe”, salientou.


A direção do Sindicato dos Metalúrgicos declarou que o principal objetivo dos julgamentos não é só a reparação econômica, mas o reconhecimento do Estado sobre a perseguição política que existiu e que causou prejuízo aos trabalhadores em questão. A direção da entidade enfatizou ainda que após serem demitidos, tiveram os nomes incluídos na lista do Serviço Nacional de Informações (SNI) e não conseguiram mais emprego com carteira assinada.


Comissão


A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça foi criada para agilizar o julgamento dos processos dos que foram perseguidos pela ditadura militar, que hoje são mais de 15 mil. Em sua maioria, os pedidos são dos trabalhadores que foram demitidos da CSN, principalmente em decorrência das greves de 1984, 1987, 1988 e 1990.