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GOVERNO
VAI PROPOR NOVA LEI DE ABERTURA DOS ARQUIVOS DO ESTADO |
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O ESTADO DE S. PAULO 02/03/09 Projeto
permitirá que arquivos secretos sejam acessados em caso de violações aos
direitos humanos JAMIL CHADE GENEBRA - O governo vai propor uma
nova lei sobre a abertura dos arquivos secretos do Estado. A Casa Civil
enviará ao Congresso um projeto de lei para permitir que arquivos secretos e
ultrassecretos do Estado sejam consultados em caso de denúncias de violações
aos direitos humanos. Isso não vai valer apenas para arquivos encontrados
sobre o período da Ditadura, mas também em arquivos sobre Guerra do Paraguai
e outras crises. Nesta segunda-feira, 2, o ministro de Direitos Humanos,
Paulo Vannuchi, alertou que "crimes de tortura não seriam
anistiáveis" e apontou que a própria Lei de Anistia de 1979 não é
irrestrita. Mas garante: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não
quer uma revanche". Na próxima semana, o governo apresenta um pacote
de medidas em relação ao direito à verdade e memória. Uma das medidas é um
novo projeto de lei regulamentando a questão do sigilo dos arquivos de Estado.
O tema está sendo tratado com confidencialidade, já que se trata de uma
questão considerada como delicada para várias instituições dentro do próprio
governo. O Itamaraty e todo seu arquivo diplomático sobre guerras e questões
de fronteira é um dos interessados, além do Ministério da Defesa e outros. O projeto será apresentado pela ministra da Casa
Civil Dilma Rousseff. Mas Vannuchi revela que conseguiu incluir no projeto
uma norma que permite que denúncias de violações aos direitos humanos possam
justificar a abertura de arquivos para consulta e avaliação do que de fato
ocorreu. Arquivos, ainda que sejam sobre o mesmo tema, mas que envolvam
questões de Estado, serão mantidos fechados. O projeto de lei deve permitir
que arquivos sejam mantidos em sigilo absoluto por 25 anos, renováveis
indefinidamente em casos de arquivos ultrassecretos que envolvam questões de
Estado ou que possam ser uma ameaça à integridade territorial. "O Estado
pode decidir manter os arquivos fechados por mil anos. Mas as violações aos
direitos humanos precisam ser conhecidas", disse Vannuchi, que está em
Genebra para reuniões na ONU. Nesta segunda-feira, 2, o ministro negou que
haja uma diferença de posições entre ele, o ministro da Justiça, Tarso Genro,
e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à Lei da Anistia.
"Tanto o presidente como eu entendemos que a lei da Anistia precisa ser
respeitada. Ao contrário do que dizem, eu não proponho sua revisão",
afirmou. O que ele defende é que a lei seja interpretada
como de fato está colocada. Segundo Vannuchi, a lei não valeria para atos de
terrorismo, sequestro e atentado pessoal. "Não é uma lei ampla, geral e
irrestrita", disse. Portanto, para ele, crimes de tortura poderiam ser
incluídos como atentados pessoais. "Além disso, o direito internacional
de forma crescente aponta que tortura não prescreve e nem é anistiável e essa
é minha posição", disse. Para Vannuchi, porém, não cabe ao Executivo
determinar se alguém deve ser punido. "Isso vai depender da
Justiça", disse. Ela ainda admite que a Justiça pode acabar tendo uma
posição diferente da dele, já que a tendência de interpretar a tortura como
não sendo anistiável ganhou força apenas depois da época em que os crimes
foram cometidos no Brasil. "O que a Justiça decidir será acatado",
disse. Ele ainda conta que Lula está empenhado na questão da memória e
verdade dentro do governo, mas que "não quer revanche com ninguém".
Vannuchi admite que a posição do presidente é diferente das famílias das
vítimas nesse sentido. |