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TARSO GENRO DEFENDE
REVISÃO DE PARECER DA AGU SOBRE LEI DE ANISTIA |
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TERRA 03/11/08 - O ministro da Justiça, Tarso Genro,
afirmou que poderia ser revisto o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU)
favorável aos militares nas discussões sobre a legalidade de torturadores
poderem ser perdoados pela Lei da Anistia. Defensor de que os torturadores
respondam pelo que classifica de "crime contra a humanidade", Genro
observou que a AGU e a Secretaria Especial de Direitos Humanos devem buscar
uma solução negociada para o impasse, e não transformar o tema em um
"contencioso político". Internamente, no entanto, a AGU não
trabalha com a hipótese de rever o parecer que redigiu favoravelmente à "anistia
ampla e irrestrita" dos militares. O caso deverá ser solucionado
definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um processo no qual o
relator do caso, ministro Eros Grau, já determinou que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
apresentem à Justiça explicações que possam embasar a Suprema Corte no
julgamento. Nesta tarde, o presidente Lula recebeu o advogado-geral da União,
José Antonio Dias Toffoli. "Não há nenhuma postura do ministro
Toffoli de que (no caso de) quem cometeu os delitos
de tortura (...) a anistia deve ser aplicada de maneira indiscriminada. Essa
defesa técnica (já apresentada pela AGU) pode ser corrigida. Agora, essa
correção deverá ser feita de uma maneira técnica, adequada, negociada entre a
AGU e principalmente a Secretaria de Direitos Humanos. O Ministério da
Justiça entra para colaborar nesse diálogo. Não compete ao Ministério da
Justiça ditar ou orientar qual é a posição que a AGU deverá assumir",
afirmou Tarso Genro após reunião no Palácio do Planalto. "Eu, o Toffoli
e o Vanucchi (ministro da Secretaria de Direitos
Humanos) estamos falando permanentemente sobre isso por telefone e
pessoalmente, para equacionar essa questão. Não existe nenhum contencioso,
nenhuma divergência, nenhum enfrentamento entre a AGU e a Secretaria de
Direitos Humanos", completou o ministro. Em um processo sobre a Lei da Anistia,
envolvendo os militares da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel, o
Ministério Público Federal Ao defender a União naquele caso, a AGU Apesar de contrário à posição da
Advocacia-Geral, Genro comentou que a posição pró-militares é "uma
posição profissional e técnica". "Não compete a nós, em um momento
depois que foi feita a contestação (relatório com a posição da AGU), pedir
que a AGU tome esta ou aquela posição. O que queremos é colaborar para que
aquilo que é um impasse meramente jurídico e técnico não se transforme em um
contencioso político. A AGU é quem vai dar a palavra final", declarou o
ministro da Justiça. De acordo com o ministro, a AGU, como
instituição, não precisa ouvir os demais ministérios para formalizar a
opinião do governo sobre a abrangência da Lei da Anistia. "Essas
contestações normalmente não são decisões de governo, são decisões técnicas
da AGU. Talvez seja aí que esteja exatamente a questão que tenha que ser
resolvida. Foi decisão pessoal da AGU, dele pessoalmente não, da AGU",
avaliou. |