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A FRATURA
ESTÁ EXPOSTA |
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CARTA CAPITAL 03/11/08 Esquentou
a queda-de-braço dentro do governo em torno da responsabilização dos
militares e policiais que assassinaram, torturaram e participaram do
desaparecimento de presos políticos durante a ditadura. Na segunda-feira 27,
o ministro Paulo de Tarso Vannuchi, da Secretaria
Especial de Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, afirmou que
voltará à “sociedade civil”, caso prevaleça no governo a posição
da Advocacia-Geral da União (AGU) na ação que envolve os coronéis da reserva
Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Maciel, comandantes do DOI-Codi no período de O
Ministério Público Federal (MPF) aponta Ustra e
Maciel como responsáveis pela tortura e morte de 64 presos políticos e pede
que esses reembolsem a União pelas indenizações pagas às famílias das
vítimas. O MPF também acusa o Estado de omissão por não buscar na Justiça o
ressarcimento das indenizações pagas, uma atribuição constitucional da
AGU. Em
sua contestação à ação do MPF, a Advocacia-Geral afirma que a Lei de Anistia,
de 1979, isenta os militares de responsabilidade legal pelos crimes
cometidos. E atribui a responsabilidade pelas indenizações ao Congresso, que
aprovou a lei sobre o tema. Considera ainda que prescreveu,
em 1996, o prazo para o ressarcimento à União. Por fim, a AGU acata a tese de
que não existem mais os arquivos relativos à repressão. Deveriam tornar-se
públicos, segundo o MPF. Em
linhas gerais, a contestação apresentada pela AGU abraça a tese defendida por
setores das Forças Armadas, sob o comando do ministro da Defesa, Nelson
Jobim, principal interlocutor, nos bastidores do Planalto, dos que preferem
“passar uma borracha” no período da repressão. Procurada por CartaCapital, a AGU
preferiu não se manifestar. Em
reunião extraordinária, realizada na quarta-feira A
nota encerra-se com uma referência ao discurso do presidente Lula, em que ele
afirma que o País “precisa dessa verdade”. A afirmação foi feita
durante o lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, editado
pela secretaria comandada por Vannuchi e lançado em
agosto deste ano. No
mesmo dia em que a nota foi publicada, o Ministério da Justiça vazou à imprensa um relatório encaminhado à Casa Civil, em que
critica a atuação da AGU, por ter “avançado” indevidamente no
tema da prescrição dos crimes da ditadura. Militantes dos Direitos Humanos também
saíram em defesa de Vannuchi. “A tradicional
conciliação na política brasileira acaba de revelar sua face mais perversa e
repulsiva. É eticamente inaceitável que a União venha a assumir a defesa
destes e não da dignidade do povo brasileiro”, escreveram a socióloga
Maria Victoria Benevides e o professor de Direito da USP Fábio Konder Comparato. Em
Washington, a atuação da AGU foi relatada à Comissão de Direitos Humanos da
Organização dos Estados Americanos (OEA), durante uma audiência que ouviu o
procurador da República Marlon Weichert, um dos
autores da ação contra os militares, o governo brasileiro e a ONG Centro de
Justiça e Direito Internacional (Cejil). A
audiência buscou elementos para o relatório que será produzido pela comissão
da OEA, a respeito das garantias dadas pelo Estado brasileiro aos direitos
humanos.
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