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QUADRO GERAL
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COMISSÃO
DE ANISTIA 03/11/08 Punição a torturadores Estadão noticia
que o presidente Lula está preocupado com a ampliação da polêmica sobre a
aplicação da Lei da Anistia, que já chegou até à OEA, e quer que seus
ministros parem de alimentar o debate pela imprensa. Lula quer evitar que
seja aberta uma nova frente de críticas ao Brasil no exterior. Vez por outra
o País entra na berlinda, questionado em foros internacionais por causa de
denúncias de trabalho escravo ou de menores, além de problemas com índios.
Segundo o jornal, quando deixava Havana, na sexta-feira, Lula avisou que
reunirá o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi,
e o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli,
para que cheguem a um acordo sobre a interpretação da Lei de Anistia, aditada
em 1979. O jornal informa que ainda não existe processo
contra o Brasil na OEA, mas na semana passada a entidade patrocinou uma
audiência pública em que o presidente da Comissão de Anistia do Ministério da
Justiça, Paulo Abrão Pires, relatou as iniciativas do Brasil na área de
direitos humanos e citou três das ações que tramitam no STF, cuja sentença
dará a interpretação definitiva sobre a abrangência da Lei de Anistia. Para
Abraão, a polêmica só veio à tona agora por causa das ações que tramitam na
Justiça questionando a interpretação da Lei de Anistia. "Com isso,
finalmente vamos passar pelo processo da Justiça de transição, comum à
maioria dos países do mundo", afirma ele. # O Globo destaca
que a queda-de-braço entre o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, e os ministros Tarso Genro e Paulo Vanucchi, sobre a prescrição ou não de crimes de tortura
cometidos durante a ditadura militar, pode chegar ao fim antes que o
presidente Lula intervenha diretamente na questão. De acordo com o jornal, no
fim de semana, em conversas reservadas, Toffoli
admitiu pela primeira vez que pode mudar trechos da defesa apresentada pela
AGU em ação do Ministério Público contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de ser um dos principais torturadores da
fase final da ditadura. Toffoli teria pedido a
Tarso e Vanucchi que encaminhem à AGU explicações
por escrito sobre as razões técnicas e jurídicas que pudessem justificar uma
posição diferente da apresentada pela instituição à Justiça Federal. A partir
daí, ele teria condições de decidir se caberia ou não alguma alteração na
posição original da AGU. Toffoli, segundo
interlocutores, argumenta que até ministros do STF fazem pedidos de vista e
revêem votos. O jornal informa que até o momento, nenhum dos ministros que se
queixaram publicamente contra a AGU atendeu as solicitações de Toffoli, que avalia ser inaceitável sofrer pressão para
mudar interpretação jurídica de uma lei por motivos políticos. # Em editorial, O Globo afirma os governos costumam
reservar parte da máquina pública para representantes da aliança partidária
que os sustenta e diz que o governo Lula não radicalizou: há áreas
privatizadas por movimentos ditos sociais, com a freqüente confusão entre o
que são os interesses do Estado brasileiro e as intenções de grupos políticos
incrustados no governo. Para o jornal, um emblemático é a campanha movida
para a condenação de pessoas acusadas de tortura durante a ditadura militar,
mesmo que a Lei da Anistia impeça. "Como a bandeira é alçada por duas
autoridades de primeiro escalão — ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi — parece ser uma posição oficial",
diz o texto, que ressalta tratar-se de um engano. Para O Globo, a decisão da
AGU — um órgão de Estado e não de governo, e que tampouco atua em nome desse ou daquele grupo político — é fundamentada e
interpreta corretamente a Lei da Anistia. "Tanto os companheiros de
Genro e Vannuchi como os coronéis foram
anistiados", ironiza o jornal, que aponta a "inoportunidade
(sic) de ações políticas praticadas usando-se o espaço do governo, como se
fossem atos oficiais, mas que vão contra a lei e causam desconfortos
institucionais". # A Lei de Anistia é tratada também em artigo n'O Globo assinado por Sérgio Paulo Muniz Costa, que considera ingenuidade
supor que essa iniciativa do PT no governo não viesse a
atingir as Forças Armadas, provocando um novo atrito institucional, o
terceiro em menos de um ano. Para ele, a ascensão do PT, independentemente
das opções ideológicas e pessoais, tem o potencial de consolidar e enriquecer
a democracia brasileira. "Mas para isso o Brasil precisa demonstrar
saber que o governo é uma instituição do Estado que cumpre seu papel perante
a sociedade, em conformidade e por intermédio de outras instituições", conclui. # Em seu artigo na Folha, a senadora Marina
Silva trata da questão da tortura e afirma que a condenação dos atos
praticados no Brasil durante o regime militar não é, como querem alguns,
vingança, ódio ou tentativa de impedir a superação do passado. "É preciso
reafirmar o repúdio a esta suprema forma de covardia, como constitutivo
daquilo que nos une, acima de diferenças ideológicas ou quaisquer outras, e
nos faz nação", enfatiza. A autora ressalta que o manto da anistia não
cabe nos casos de tortura e diz que, do conjunto do governo, "a exemplo
do Ministério da Justiça e da Secretaria Especial dos Direitos
Humanos, espera-se serenidade, justiça e determinação para fechar este ciclo
e todos assinarmos embaixo: tortura nunca, nunca mais." |