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TENENTE ADMITE NA CÂMARA
QUE TORTUROU GUERRILHEIROS |
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JORNAL DO
BRASIL 03/12/08 VASCONCELO
QUADROS O tenente da reserva José Vargas Jiménez surpreendeu
os membros da Comissão Especial de Anistia (CEA) da Câmara ao confessar nesta
quarta que torturou ativistas do PCdoB
para arrancar confissões que levaram os militares a aniquilar a Guerrilha do
Araguaia. – Confirmo que torturei. Já pedi a Deus o meu
perdão. Estava numa guerra e tive de cumprir ordens – disse o militar,
que se transformou no primeiro comandante de grupos de combate a admitir
oficialmente o que as Forças Armadas negaram nos últimos 35 anos. Revelado no dia 22 de março deste ano, em reportagem
publicada pelo Jornal do Brasil,
o relato de Jiménez tem os detalhes do plano militar
e a autenticidade de quem esteve no teatro de operações como combatente. Ele
conta que para quem entrou na selva a partir de outubro de Na confissão que mais chocou os deputados, Jménez detalhou o método que usou para torturar um
camponês. Disse que, como o preso se recusava abrir o que sabia sobre a
guerrilha, amarrou-o num pau viveiro de formiga, com o corpo lambuzado de
açúcar e a boca cheia de sal. Quando as formigas começaram a picar, o
camponês não aguentou e começou a contar tudo. – É hipocrisia dizer que não houve tortura
– afirmou. Irritado com a discussão sobre revisão da lei de
anistia para alcançar torturadores, o militar disse que se tivesse atuado no
Araguaia, a ministra Dilma Rousseff,
da Casa Civil – que prestava depoimento numa sala ao lado – não
estaria viva hoje. No começo do
depoimento, Jiménez admitiu também que sabia de locais onde vários corpos de
guerrilheiros foram abandonados e até se dispôs a voltar à região
– acompanhado de mateiros que trabalharam para o Exército – para
apontá-los. Diante a reação dos deputados, recuou e disse que não mais
colaboraria com a comissão. Antes, admitiu também que em 1990 resgatou nos arquivos militares documentos que
oficialmente as Forças Armadas negam existir. O deputado Daniel Almeida (PCdoB-PI), presidente da CEA,
vai pedir que o Ministério Público Federal investigue a confissão do militar.
Ele acionará também os órgãos do governo que buscam os corpos dos
guerrilheiros desaparecidos. |