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AGÊNCIA CÂMARA 03/12/08
Em depoimento nesta quarta-feira à Comissão Especial
da Lei da Anistia, o tenente José Vargas Jimenez, ex-chefe de grupo do
Exército na Guerrilha do Araguaia, confirmou ter participado da prática de
tortura contra presos.
José Vargas Jimenez confirmou entrevista dada à
Revista Isto é, na qual afirmou possuir documentos sigilosos sobre o
movimento guerrilheiro. Segundo ele, o Centro de Informações do Exército
(CIEX) deu ordens, em 1975, para que documentos sobre a Guerrilha do Araguaia
fossem destruídos. "Eu estive na guerrilha e uma guerra é assim",
disse o tenente.
A comissão vai pedir os documentos que o tenente Jimenez disse possuir, mesmo
depois de o Exército ter dado ordem para queimá-los.
Revanchismo
José Vargas Jimenez, que durante os episódios do Araguaia era
segundo-sargento do exército, afirmou que, para ele, naquele momento, não
considerava a tortura como um crime hediondo.
"Hoje em dia que eu tenho estudo, sou bacharel em Direito, sou
politizado. Eu vejo que realmente nós fizemos muito mais, mas que é
hipocrisia dizer que não tem que ser feito, porque senão ninguém conta",
observou o militar.
Jimenez, que lançou livro sobre o tema recentemente, considerou revanchismo
as críticas de alguns ministros do Governo Lula à Lei de Anistia e às Forças
Armadas.
Imprescritível
O relator da comissão, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), afirmou que o
depoente não se deu conta de que o crime de tortura é imprescritível. Segundo
o parlamentar, a comissão irá encaminhar o áudio da fita ao Ministério Público Federal e pedir
providências.
"Na verdade, o tenente é um fanfarrão, ele quer vender o livro dele. Ele
assume crimes, e se assume crimes, tem que responder por eles", criticou
o deputado. "Só que ele diz que os crimes que ele assume são prescritos.
Só que tortura não se prescreve."
O presidente da Comissão de Anistia, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), afirmou que a questão
do Araguaia ainda é uma ferida aberta. "Nós, sociedade brasileira,
precisamos continuar tratando desse tema. Ainda bem que vivemos
um processo democrático e essas opiniões e informações podem vir à
tona", ressaltou.
O deputado ressaltou que é necessário continuar buscando a verdade sobre esse fatos para dar uma resposta à sociedade e aos
familiares dos desaparecidos, "buscando dar oportunidade às pessoas que
demandam por anistia terem acesso a anistia".
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