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TARSO DEFENDE QUE AGU REVEJA INTERPRETAÇÃO
QUE PERDOA CRIMES DE TORTURA ANTERIORES À LEI DA ANISTIA |
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O GLOBO 04/11/08 O
ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu nesta segunda-feira que a
Advocacia Geral da União (AGU) reveja o parecer que desconsiderou como crime
a tortura praticada por militares na época da ditadura (1964-85). Na
interpretação da AGU, crimes de tortura foram perdoados pela Lei da Anistia,
de 1979, anterior à Constituição atual, que é de 1988. A
interpretação está na defesa apresentada pela AGU em ação do Ministério
Público contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra,
acusado de ser um dos principais torturadores da fase final da ditadura. -
Se a defesa é técnica, ela pode ser corrigida, mas essa correção deverá ser
feita de uma maneira técnica também, adequada e negociada entre a AGU e a
secretaria de Direitos Humanos - disse Tarso a jornalistas. O
ministro evitou dar detalhes sobre o assunto. Tarso esteve no Palácio do
Planalto p ara discutir, com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, e a deputada federal Luiza Erundina (PSB) a
proposta de reforma política. Segundo
reportagem do GLOBO o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, em conversas reservadas, admitiu que vez que
pode mudar trechos da defesa. Nesta segunda-feira, após audiência do prefeito
reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu Toffoli, que saiu sem dar declarações. Toffoli seguiu para Maceió. Tarso
e o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, têm se posicionado publicamente contra o
parecer. O mesmo fez a ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, militante ativa contra a ditadura
militar, período no qual ficou três anos presa e foi torturada, declarou que
considera o crime de tortura imprescritível. Já
o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o próprio Toffoli
entendem que a Lei de Anistia, de 1979, aboliu os torturadores de responderem
por suas práticas. Nesta segunda, ele disse que o parecer da AGU é
irrelevante, já que o STF terá que julgar antes uma ação ajuizada pelo
Conselho Federal da OAB. Perguntado sobre a ameaça de Vannuchi
deixar o governo caso a AGU não reveja o parecer, Jobim respondeu: -
O assunto é de competência da AGU. A revisão ou não do parecer é irrelevante.
Relevante é a posição que terá que ser tomada pelo Poder Judiciário, e essa
decisão não está no bojo desta ação (do MPF contra Ustra
e Maciel), e sim da ação ajuizada pelo Conselho Federal da OAB. Defensor da
anistia a torturadores, Jobim, que chefia as Forças Armadas, ainda comentou: -
O que vai ser decidido pelo Supremo não é se alguém é a favor ou contra
torturados ou torturadores. A questão é saber se o grande acordo político da
transição na década de 70, que deu origem à anistia, deve ser revisto
interpretativamente ou não. O
presidente Lula, por sua vez, não quer que essa discussão seja pública. Em
Havana, semana passada, o presidente disse que convocaria a AGU e a
Secretaria Especial de Direitos Humanos para um entendimento sobre a Lei da
Anistia que evitasse desavenças públicas que comprometeriam a imagem do
Brasil no exterior. Gilmar
Mendes pede cautela: Direitos humanos valem para todos O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pediu nesta
segunda-feira cautela na discussão sobre a prescrição dos crimes de tortura,
cometidos durante o regime militar. Ao responder sobre a declaração da
ministra Dilma, o ministro afirmou que o tema referente aos direitos humanos
se presta a ideologizações e politizações e, por isso, trata-se de uma
questão de "dupla face". -
Porque o texto constitucional diz que o crime de terrorismo também é
imprescritível - disse ele, durante um debate sobre democracia e estado de
Direito, em seminário organizado pelo Instituto dos Advogados de São Paulo,
Fundação Getúlio Vargas e Instituto Fernando Henrique Cardoso. - Eu repudio
qualquer manipulação ou tentativa de tratar unilateralmente os casos de
direitos humanos. Direitos humanos valem para todos: presos, presidiários,
ativistas políticos. Não é possível dar prioridade para determinadas pessoas
que tenham determinada atuação política. Direitos humanos
não pode ser ideologizado - completou ele. Gilmar
Mendes também se manifestou sobre o documento da AGU. -Eu
não conheço todos os dados postos (pela AGU). Mas é claro que não é dado ao
advogado geral da União fazer escolhas quando imputam responsabilidade nas
ações à própria União. Tem que fazer a defesa do ato, a não ser que seja
evidente a responsabilidade da União ou a responsabilidade de quem é acusado.
Embora considere legítimo o protesto de diferentes categorias, ele disse que
o país precisaria "evoluir para um padrão civilizatório". Eros Grau
pede informações a Executivo e Legislativo Também
nesta segunda, o ministro Eros Grau, do STF, determinou que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o presidente do Congresso, Garibaldi Alves Filho,
prestem informações sobre a punição para as autoridades militares que
torturaram e mataram presos políticos durante a ditadura (1964-1985). Ouvir
a autoridade responsável pelo ato questionado em até cinco dias - no caso a
Presidência da República e o Congresso Nacional, é o procedimento habitual,
previsto na legislação, nos processos que tramitam na Corte. Na seqüência, o
processo deve seguir para a Procuradoria Geral da República, que tem o mesmo
prazo de cinco dias para emitir parecer, como é usual, também, nas ações que
chegam ao STF. A decisão
do ministro se refere ao julgamento da ação da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) que pede que a Corte declare que os crimes praticados por militares e
policiais durante a ditadura não têm a cobertura da Lei de Anistia. A
entidade sustenta que os torturadores não estão protegidos pela anistia e
devem responder pelos crimes que cometeram. |