STF PEDE DADOS AO
PLANALTO E AO CONGRESSO SOBRE LEI DA ANISTIA
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DIÁRIO DO GRANDE ABC 04/11/08
O ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal
Federal) enviou na segunda-feira ao Planalto e ao Congresso Nacional um pedido
de informações sobre a Lei da Anistia. Grau é relator da ação proposta pela
OAB que questiona se a anistia vale para policiais e militares que, durante o
regime militar, praticaram supostos atos de tortura. As informações solicitadas pelo ministro do STF são
parte de um procedimento padrão. Na seqüência, a ação proposta pela OAB deve
seguir para a Procuradoria Geral da República, que deve emitir um parecer.
Após esta etapa, o caso volta para o STF, para que o relator faça um
relatório sobre o assunto. Só então, Eros Grau vai redigir o voto que será
submetido à votação no plenário do Supremo. Se o tribunal entender que o perdão da anistia
alcançou a tortura, a questão estará encerrada. Do contrário, ficará em aberto a possibilidade de se rever ações praticadas
por agentes do Estado durante o regime militar. Repercussão - O presidente do Senado, Garibaldi
Alves, posicionou-se nesta terça-feira contra revisões na Lei de Anistia.
Para ele, não se pode rever uma lei que já produziu seus efeitos. "O que
ela (Lei de Anistia) fez, produziu, se exauriu (terminou). Mas também, se foi
exaurida, não se pode trazer de volta tudo aquilo que aconteceu antes da
anistia", disse. O presidente do Senado falou, no entanto, que depois
da Constituição de 1988 "a história é diferente, os atos políticos que
levam a terrorismo têm que sofrer uma ação". Histórico - O ministro Tarso Genro defendeu, em um
seminário ocorrido no início de agosto, que a tortura não deveria ser tratada
como um crime político e sim como um crime comum. A posição do ministro da
Justiça provocou desconforto em relação às Forças Armadas. Uma semana depois, Tarso Genro, disse que o
presidente Lula determinou que o governo fique de
fora de qualquer interpretação sobre a Lei da Anistia. Esse assunto, segundo
o ministro, será tratado exclusivamente pelo Poder Judiciário. No entanto, a questão não ficou esquecida. Um
parecer feito pela AGU (Advocacia-Geral da União) considera que poderiam ser
beneficiados pela Lei da Anistia o ex-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e seu colega Audir dos Santos Maciel (já falecido), acusados de torturar presos
políticos e matar pelo menos 64 deles. O Ministério da Defesa e os comandantes das Forças
Armadas possuem a mesma posição. Entretanto, a Secretaria Especial de Direitos
Humanos e o Ministério da Justiça discordam,
apoiados por tratados e convenções internacionais, afirmando que a Lei da
Anistia não vale para os crimes de tortura. |