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ANISTIA
CELEBRA DIA INTERNACIONAL DA MULHER COM SESSÃO ESPECIAL |
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COMISSÃO DE
ANISTIA 05/03/09 O
Ministério da Justiça realiza nesta sexta-feira (06), a partir das 9h, no
Salão Negro, a 9ª Anistia Cultural, em homenagem ao Dia Internacional da
Mulher - comemorado em 8 de março. Uma turma especial só de conselheiras da
Comissão de Anistia, sob o comando da vice-presidente Sueli Belato, vai julgar 17 processos de vítimas da ditadura e
familiares. É
o caso de Denise Crispim, ex-militante da Vanguarda
Popular Revolucionária (VRP), presa quando estava grávida de seis meses e que
teve a liberdade trocada pela do marido, Eduardo Leite “Bacuri”,
assassinado por policiais do DOI-CODI em “O
evento homenageia mulheres de todo o mundo que não se calaram e não se calam
diante de qualquer forma de repressão”, declarou Sueli Belado. “Quando a tirania invadiu lares, fábricas,
escolas e igrejas, as mulheres comprometeram suas vidas, seus projetos e
marcharam juntas com os que gritavam por liberdade e justiça para
todos”. Antes
da sessão haverá uma breve palestra com a participação de três militantes
históricas: a escritora Moema Libera Viezzer, a
defensora dos direitos humanos Margarida Genevois e
a historiadora Jessie Jane, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Elas falarão sobre o tema: “Memórias do Feminino:
Vivências, Resistência e Protagonismo nas Lutas por
Democracia”. Anistia
Cultural Esta
é a segunda vez que a Comissão presta homenagem às mulheres. No dia 7 de
março do ano passado, a 2ª Anistia Cultural, também em Brasília, aprovou os
pedidos de sete ex-militantes que atuaram contra a ditadura instalada em
1964. O
projeto pretende dar visibilidade a fatos históricos ocorridos durante o
regime militar. O propósito é democratizar o acesso às informações,
contribuindo para a formação cultural, humana e política dos jovens. Eventualmente,
promove também sessões de julgamento, como o que ocorreu no último dia 27, no
Rio de Janeiro, quando foi concedida anistia política a ex-professores e
ex-estudantes expulsos das universidades pelo decreto 477, de 1969.
A
sessão especial da 9ª Anistia Cultural vai analisar os processos dos
seguintes requerentes: Danielle Ardaillon - natural da Argélia, foi naturalizada brasileira
em 1986. Em 1971 foi detida e interrogada pelo Delegado Fleury e sua equipe
por um dia inteiro. Foi espancada. A requerente ficou presa por 55 dias
isolada de todos, inclusive de seu filho, que necessitava de cuidados
especiais. Denize Peres Crispim - companheira de Eduardo Leite
“Bacuri”. Militante da VPR, foi presa
quando estava grávida de seis meses de Eduarda, sua
filha com Bacuri. Sua soltura foi negociada mediante prisão do marido, visto
por Denize pela última vez na prisão, desfigurado
pelas torturas. Obteve asilo diplomático em 1971. Joelson Crispim (irmão de Denize Peres Crispim - post mortem) - Filho de Encarnacion
Peres Crispim e de José Maria Crispim.
Militante da VPR, foi assassinado em 22/04/70 pelos
policiais do DOI-CODI. Carmen Helena Barbosa do Vale -
Esposa de Apolo Heringer Lisboa, foi perseguida
politicamente. Teve prisão preventiva decretada e entrou na clandestinidade,
quando foi compelida a sair do emprego. Exilou-se no Chile e depois na
Argélia. Conceição
Imaculada de Oliveira – Foi
detida diversas vezes, recolhida na penitenciária da Mulher Iara
Xavier Pereira - Sofreu
perseguição, como toda sua família, em razão de militância política. Em Keilah Diniz – Perseguida
política, foi demitida, no Acre, em razão de pressões que o reitor teria
sofrido. Lenira Machado - Com seu pai, foi
acusada ainda muito jovem de participar das Ligas Camponesas. Teve a
residência invadida e foi torturada pela equipe do Delegado Fleury. Maria
Regina Peixoto Pereira – Foi
presa e torturada. Demitida do Banco do Brasil por motivação política. Maria
do Socorro Cunha Campos –
Presa em 1972, quando se dirigia para a USP, foi levada para o DOI-CODI, onde
encontrou seu marido, Martinho Leal Campos, em uma sala de tortura. Foi
transferida para o Presídio Tirandentes e teve que
abandonar a universidade. Marília
de Carvalho Guimarães - Ativista
comunista, conhecida pelo codinome “Mirian”, foi presa pela
primeira vez em março de 1969. Depois de liberada fugiu com os filhos e outro
companheiro que se escondia em sua residência. Retornando ao Rio de Janeiro,
se apresentou ao DEOPS, onde foi imediatamente presa e submetida a várias
torturas. Renata
Ferraz Guerra de Andrade - Aprovada
na USP em 1967 aos 20 anos, foi indiciada pelo DOPS acusada de pichação. Suely
Muniz - Militante da Política
Operária (POLOP). Presa diversas vezes e torturada, respondeu a vários
processos. |