QUADRO GERAL DE NOTÍCIAS DO DIA

COMISSÃO DE ANISTIA 05/11/08

 

Punição a torturadores

 

Folha destaca que o ministro Tarso Genro afirmou que os grupos de esquerda que adotaram a luta armada contra a ditadura militar "não podem ser classificados como terroristas". Tarso disse, porém, que a luta armada foi "um equívoco", apesar de essa decisão ser "compreensível historicamente". "No caso brasileiro, um ou outro ato de terrorismo pode ter acontecido, mas não houve nenhuma organização que usasse os métodos do terror como prática permanente", disse. A reportagem informa que anteontem, o presidente do STF, Gilmar Mendes, afirmou que o "crime de terrorismo é imprescritível", ao comentar afirmação da ministra Dilma Rousseff.


A Folha indagou Tarso a respeito da declaração de Mendes. O ministro da Justiça disse que não responderia especificamente ao presidente do STF, mas aceitou conversar em tese sobre o tema. "Se o Ministério da Justiça não tiver opiniões a respeito dessas questões, emitidas com respeito a quem pensa diferente, não cumpre a sua função política institucional." O ministro afirmou que leis internacionais e a Constituição "tornam o crime de terrorismo perfeitamente enquadrável" como imprescritível, mas reiterou que as organizações de esquerda contrárias à ditadura não se guiaram por esse princípio.

 

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Folha informa que o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, voltou a dizer ontem que, assim como tortura, crime de terrorismo também é imprescritível: "Não dá para dizer que há imprescritibilidade para um lado e não há para o outro". Mendes negou estar se referindo a qualquer caso concreto ocorrido no período da ditadura militar.

 

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Folha e O Globo informam que o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse ontem que a Anistia perdoou os torturadores: "Houve uma lei que perdoou todos aqueles atos. Foi uma lei ampla de anistia para os atos cometidos politicamente, inclusive atos de violência". Segundo o jornal, o STF instará o Senado a se pronunciar sobre isso.

 

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Nota na Folha sobre a ditadura militar diz que, entre 1967 e 1974, alguns grupos de esquerda se engajaram na luta armada contra a ditadura. Nesse período se concentram mortes e desaparecimentos de integrantes desses grupos, assim como vítimas de ações da guerrilha. No total, 376 pessoas teriam sido mortas por integrantes do regime militar, segundo o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão Especial de Reconhecimento dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Militares reformados afirmam que os grupos de esquerda mataram 119 pessoas em confrontos ou em atentados.

 

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Estadão destaca que as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes, que afirmou que o terrorismo "também" é um crime imprescritível, foram entendidas por assessores do Palácio do Planalto como resposta à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - militante de um grupo armado que atuou contra o governo militar. Para Dilma, crime de tortura não deveria prescrever. O jornal informa que Mendes repetiu o discurso das Forças Armadas de que, se for para reabrir a discussão sobre a Lei de Anistia, todos os lados que foram perdoados em 1979 terão novo julgamento. Segundo o Estadão, nesse caso, seriam submetidos a novos julgamentos não só os militares, mas muitos dos atuais integrantes do primeiro escalão do governo, que teriam praticado atos considerados terroristas, como seqüestros e assaltos.

 

O jornal afirma que a polêmica sobre a Lei da Anista foi retomada em julho, com a realização de seminário pelo Ministério da Justiça e Secretaria de Direitos Humanos. Posteriormente, os militares reeditaram livretos que circularam no início do governo, identificando cada um dos ministros e outros ocupantes de cargos de relevância que participaram da luta armada e que acusam de terem praticados atos terroristas. A matéria informa que da lista constam, além de Dilma, os ministros Paulo Vannuchi, Tarso Genro, Franklin Martins, Celso Minc, Juca Ferreira, Luiz Dulci. O jornal diz ainda que, apesar de o presidente Lula ter pedido o fim das discussões públicas sobre o tema, o ministro Tarso Genro, ao comentar as declarações de Mendes, disse que esta "é uma visão do ministro" e que ela "faz parte do debate jurídico do País". Ele encerrou acrescentando que, por isso, a fala de Mendes "tem que ser recebida com toda naturalidade".


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Estadão noticia que o presidente da Associação Nacional dos Advogados da União (Anauni), José Wanderley Kozima, afirmou que a AGU forneceu à Justiça um entendimento equivocado sobre a Lei de Anistia. "A AGU não deu um parecer, fez uma defesa técnica, enxergando a possibilidade de alegar a prescrição dos crimes de tortura supostamente cometidos pelos anistiados", afirmou Kozima. Segundo ele, a posição da AGU sobre a Lei da Anistia pode ter provocado conflitos de opiniões, mas até agora nenhum ministro - nem Dilma Rousseff, da Casa Civil, nem Tarso Genro, da Justiça, nem Nilmário Miranda, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos (?) - apresentou em juízo qualquer representação contestando a tese da prescrição para os crimes dos torturadores.

 

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O Globo destaca o processo que consulta o STF sobre o perdão aos crimes cometidos por militares na ditadura militar será comandado por uma vítima dos porões. Preso e torturado em 1972, o ministro Eros Grau é o relator da ação que pode manter ou não a validade da Lei de Anistia para os torturadores do regime. Ele foi designado para a função por sorteio, no último dia 21. O ministro, que foi vítima de tortura, não participou da luta armada, mas foi preso por pertencer ao Partido Comunista do Brasil, o antigo Partidão, e atuar como advogado na defesa de amigos perseguidos pelo regime. Segundo o jornal, Eros costuma falar com orgulho da formação de esquerda e mantém um retrato de Karl Marx em seu gabinete.

 

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O Globo publica box de opinião com o título "Desvario", onde afirma que "a interpretação unilateral dada por Dilma Rousseff sobre o que a lei estabeleceria para o crime de tortura permitiu ao ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, lembrar, com propriedade: terrorismo também é crime que não prescreve. Em português claro: se há setores do governo que desejam praticar o revanchismo contra militares, ficam avisados que autoridades, como a ministra-chefe da Casa Civil, acusadas, naqueles tempos, de terrorismo também podem ser atingidas. E a ninguém de bom senso interessa que isso ocorra. Vale ressaltar, ainda, a correta interpretação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que esta discussão, no fundo, tem a ver com o grande acordo político feito entre a oposição e militares na década de 70, no governo Geisel, pelo qual o país voltou à democracia sem violência. Querer, hoje, contestá-lo é, no mínimo, um desvario". O Globo publica ainda opiniões de dois leitores que corroboram a sua posição.

 

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Correio destaca que o Ministério Público Federal acusou o governo de proteger torturadores. De acordo com o MPF, ao contestar uma ação de indenização para 64 vítimas da ditadura, a União também defendeu os interesses dos coronéis Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel, principais acusados de tortura durante o regime militar. A defesa do Estado feita pela AGU diz que o ressarcimento não é possível, já que os crimes estariam prescritos, do que discordou a procuradora da República em São Paulo, Eugênia Augusta Fávero. Ela rebateu as alegações da AGU em uma réplica encaminhada à 8ª Vara Cível da Justiça de São Paulo, onde o processo tramita. "Ao defender a prescrição, a não aplicação do conceito de crime contra a humanidade, a União está defendendo os comandantes do órgão integrado por homicidas, torturadores, estupradores e outros criminosos", diz o documento. A mesma reportagem informa que o ministro da Justiça, Tarso Genro, preferiu não polemizar com o presidente do STF, Gilmar Mendes, e pediu cautela na discussão. "Esta é uma visão do ministro que faz parte do debate jurídico e político do país. Temos que acompanhar com toda naturalidade", disse Tarso.