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COMISSÃO DE ANISTIA REALIZA SESSÃO ESPECIAL
PARA JULGAR PROCESSOS DE MULHERES |
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FOLHA DE S.
PAULO 06/03/09 GABRIELA
GUERREIRO A Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça,
realiza nesta sexta-feira uma sessão especial integrada somente por mulheres
para analisar 17 processos de vítimas da ditadura --todos de mulheres ou de
seus familiares que foram vítimas do regime militar. O ato integra a chamada "Anistia Cultural" que este
mês faz uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo
domingo (8). Ex-militante contra a ditadura, a ministra Dilma
Rousseff (Casa Civil) foi convidada para o evento mas alegou outros compromissos já agendados e enviou uma
carta à comissão para justificar a ausência. Na carta, a ministra afirma que os valores que alimentaram a sua
luta contra o regime militar continuam presentes na sua disposição de
construir uma "vida melhor para toda a nação". A ministra também envia mensagem de otimismo aos parentes das
mulheres mortas em consequência da ditadura porque. "Infelizmente não poderei compartilhar dessa
homenagem especial às mulheres que lutaram na clandestinidade e de forma
aberta na vida social pela democracia", afirma. Dilma diz, na carta, que apesar da
"perigosa travessia" realizada pelos militantes contrários à
ditadura, ela continua no mesmo caminho de luta. "Não capitulamos ante
as adversidades. Conquistamos a liberdade para construir a nação democrática
de nossos sonhos. Viemos para fazer valer os valores éticos que inspiraram
nossas lutas históricas pela justiça social e pela liberdade", afirma Dilma. Apontada como pré-candidata do PT à presidência da República em
2010, Dilma participou ativamente de grupos de
guerrilha urbana que lutaram contra a ditadura. A ministra foi vítima de
tortura cometida na época do regime militar e chegou às lágrimas, no ano
passado, ao lembrar do período em que esteve presa nos porões do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), durante
debate no Senado. Sessão especial "É um reconhecimento do papel das mulheres na
redemocratização do país. As mulheres tiveram um ato corajoso na campanha
pela anistia. Se não fosse o movimento das mães e esposas, talvez o movimento
da redemocratização não tivesse ocorrido", disse o presidente da
Comissão de Anistia, Paulo Abrão. Entre os casos que serão julgados pela
comissão, está o processo de Denise Crispim,
ex-militante da VRP (Vanguarda Popular Revolucionária) que foi presa grávida
de seis meses e libertada em troca da prisão de seu marido, Eduardo Leite
"Bacuri" --militante da VRP que foi torturado e assassinado em 1970
pelos policiais do DOI-Codi (órgão de de repressão do governo durante o regime). "Muitas mulheres que se engajaram na resistência não
receberam indenização. O Brasil não reconheceu esse erro até hoje",
disse Abrão. |