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GOVERNO REDUZ PRAZO DE ABERTURA DE ARQUIVOS |
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CORREIO BRAZILIENSE 06/03/09
Parte do mistério sobre os documentos sigilosos
existentes em órgãos da administração pública deve acabar com a
reclassificação dos arquivos secretos da União. Um projeto elaborado pelo
governo, a ser enviado ainda em março ao Congresso, obriga todos os
ministérios a informar quais papéis estão sendo mantidos em segredo, os
motivos que levaram a essa decisão e quais deles podem se tornar públicos. A
proposta também reduzirá os prazos para a manutenção dos arquivos “ultrassecretos”, “secretos” e
“sigilosos”. A medida, entretanto, não atingirá documentos que
revelem a intimidade de pessoas ou coloquem em risco a integridade
territorial, as relações internacionais ou a soberania do país. Os documentos sigilosos sempre foram
um problema para os governos, não apenas por causa dos riscos que
podem causar ao Estado, mas pelo que revelam do passado. A maior pressão é
feita em torno dos militares, que governaram o país durante 21 anos. O
governo sabe que abrir os arquivos de uma só vez mexerá numa ferida que não
interessa ao Palácio do Planalto. E, por isso, idealizou um projeto para
atender todos os setores envolvidos na discussão. Os documentos ultrassecretos,
que hoje só podem ser desclassificados após 30 anos, se tornarão públicos em
25 anos, mas poderão ser reclassificados pelo mesmo
período. Se uma comissão ministerial achar que eles trarão prejuízos ao
Estado, ficarão guardados por período indeterminado. Os papéis secretos serão
liberados após 15 anos, cinco a menos do que o previsto na atual legislação,
enquanto os sigilosos devem ser divulgados em cinco ou oito anos. É essa
dúvida que ainda impede o envio do texto ao Congresso. Arquivo desconhecido “Precisamos ter gestão da informação
pública”, diz um dos integrantes da comissão que elabora a proposta.
Hoje, o governo não tem uma dimensão de quantos papéis existem nem de onde
estão. Uma das novidades do projeto é que todos os ministérios e autarquias
terão dois anos para se adaptar à nova lei, mas até lá deverão fazer uma
revisão sobre os documentos classificados. Se isso não ocorrer, eles se
tornarão público. Como ocorre nos Estados Unidos, os órgãos do governo
deverão tornar públicos os documentos desclassificados. A CIA, a agência de
inteligência americana, coloca à disposição da população os papéis em que o
segredo não é mais necessário. No Brasil, isso será feito pela internet. O governo deverá informar onde e como o cidadão irá
procurá-lo. Quando solicitados pelo cidadão, se o documento não for disponibilizado,
o gestor do processo deverá dizer qual a instância que a pessoa deve
recorrer. A atual lei, de 1991, é questionada pelo Ministério Público
Federal. No ano passado, o procurador-geral da República,
Antonio Fernando Souza, emitiu um parecer em uma ação direta de
inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona artigos
da legislação, principalmente o que trata da classificação infinita de alguns
documentos sigilosos, regra que foi mantida pelo projeto do governo. “A integridade e a revelação do conteúdo dos
registros históricos, especialmente nos países que, como o Brasil, passaram por um processo de transição política,
desempenharam importante papel para a consolidação do regime democrático e
para a proteção dos direitos individuais e coletivos”, afirmou o
procurador. |