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COMISSÃO
CONCEDE ANISTIA A MULHERES PERSEGUIDAS DURANTE O REGIME MILITAR |
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FOLHA DE S. PAULO
07/03/09 LUCAS FERRAZ
Entre
as anistiadas, duas estão entre as personagens mais emblemáticas do período
de resistência e que, por consequência, tiveram
suas famílias quase dizimadas pelas forças de repressão: Iara Xavier e Denise
Crispim. Desde
cedo envolvida com a política, por influência dos pais, Iara conviveu em casa
com Carlos Marighela -quem, segundo ela, a
"inspirou a ser a pessoa que é". Ex-integrante
da ALN (Ação Libertadora Nacional), Iara pegou em armas, treinou guerrilha em
Cuba e participou de diversas expropriações. Nunca foi presa, mas perdeu os
dois irmãos em menos de seis meses. Alex foi morto em janeiro de 72 e Iuri, O
marido, Arnaldo Cardoso Rocha, também da ALN, foi morto em 1973, quando Iara
estava grávida de três meses. Ela receberá de indenização R$ 100 mil. Denise,
que vive na Itália desde que deixou o país, nos anos 70, perdeu o
companheiro, Eduardo Leite (conhecido como "Bacuri") quando estava
grávida dele, de seis meses. Disse tê-lo visto pela última vez na prisão,
"desfigurado". Seus
pais também foram perseguidos e o irmão foi assassinado em 1970. Denise,
muito emocionada na sessão, reclamou do valor da pensão, de R$ 1.236 mensais -mais indenização de R$ 110 mil. "Me senti humilhada. Uma avaliação de uma vida baseada em
forte conotação burocrática." A
ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil), outra perseguida pela ditadura, foi convidada a participar da
sessão, mas não pôde comparecer por falta de agenda. Em carta, ela se referiu
à "perigosa travessia" e exaltou o papel das mulheres. |