COMISSÃO DE ANISTIA INDENIZA MULHERES PERSEGUIDAS DURANTE O REGIME MILITAR

FOLHAPRESS 07/03/09

 

Em sessão de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu ontem anistia e reparação financeira a mulheres que combateram e foram perseguidas pela ditadura militar (1964-85). Nos 17 processos analisados foram contemplados também, postumamente, ex-maridos, pais e irmãos das mulheres.


Entre as anistiadas, duas estão entre as personagens mais emblemáticas do período de resistência e que, por consequência, tiveram suas família quase dizimadas pelas forças de repressão: Iara Xavier e Denise Crispim.


Desde cedo envolvida com a política, por influência dos pais, Iara conviveu em casa com Carlos Marighela - quem, segundo ela, a “inspirou a ser a pessoa que é”.


Ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Iara pegou em armas, treinou guerrilha em Cuba e participou de diversas expropriações. Nunca foi presa, mas perdeu os dois irmãos em menos de seis meses. Alex foi morto em janeiro de 72 e Iuri, em junho. A mãe foi presa e torturada.


O marido, Arnaldo Cardoso Rocha, também da ALN, foi morto em 1973, quando Iara estava grávida de três meses. Ela receberá de indenização R$ 100 mil.


Denise, que vive na Itália desde que deixou o País, nos anos 70, perdeu o companheiro, Eduardo Leite (conhecido como “Bacuri”) quando estava grávida dele, de seis meses. Disse tê-lo visto pela última vez na prisão, “desfigurado”.


Seus pais também foram perseguidos e o irmão foi assassinado em 1970. Denise, muito emocionada na sessão, reclamou do valor da pensão, de R$ 1.236,00 mensais - mais indenização de R$ 110 mil.