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ANISTIA: VANNUCHI ESTÁ OTIMISTA SOBRE POSSÍVEL RECONSIDERAÇÃO DA AGU |
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AGÊNCIA
BRASIL 07/11/08
O
ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vannuchi, entregou nesta ao Advogado-Geral da União
adjunto, Evandro Gama, um pedido de reconsideração da ação civil pública
proposta pelo Ministério Público Federal contra a União e dois coronéis da
reserva, ex-comandantes do DOI-Codi, Carlos Alberto
Brilhante Ustra e Audir
dos Santos Maciel. No
dia 14 de outubro, a Advocacia Geral da União (AGU) apresentou defesa a
respeito de ação movida pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP)
que pede, entre outras coisas, a reabertura dos arquivos da ditadura militar
e a condenação dos dois coronéis da reserva, por tortura. Na defesa, a União
afirma que o governo não possui documentos sobre as torturas e mortes no DOI-Codi. O
documento, entregue pela SEDH, é baseado na Política
Nacional de Direitos Humanos e destaca três aspectos. Ressalta,
primeiramente, que a tortura é crime imprescritível, não sujeito à anistia,
tendo como argumento o direito internacional, incorporado ao sistema jurídico
nacional e à Constituição Federal. -
Ninguém propõe a revisão da Lei da Anistia. A Lei de Anistia é uma lei da
história brasileira. Aprendendo com o passado nós preparamos um futuro com
mais garantia para a não repetição, nunca mais, de todo tipo de violência -
esclarece Vannuchi. O
ministro pede, ainda, a revisão do argumento no qual a AGU considera o
Ministério Público incompetente para propor uma ação civil pública para
examinar o caso por não se tratar de um direito difuso. -
Isto precisa ser revisto. A tortura não é um problema que interessa só a
vítima, mas a toda cidadania brasileira - afirma Vannuchi.
O
terceiro ponto refere-se à necessidade de abertura dos arquivos argumentando
que o relatório final da Comissão Interministerial sobre a Guerrilha do
Araguaia, assinado pelos ministros da Defesa, da Casa Civil, da Justiça, da
Secretaria Especial dos Direitos Humanos e pelo Advogado Geral da União, em
2007, recomenda a apresentação dos termos de destruição dos arquivos. O
relatório refere-se à informação do Ministério da Defesa de que os arquivos
do período da ditadura foram destruídos. Vannuchi
disse que a competência para definir a defesa do réu cabe a AGU, mas que o
advogado-geral da União, José Antonio Toffoli,
ficou de examinar com objetividade as argumentações apresentadas pela
Secretaria Especial de Direitos Humanos. -
Estou muito otimista em relação à possibilidade de revisão destes três
argumentos - disse o ministro. |