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LULA DEVE SER FAVORÁVEL A
PUNIÇÃO DE MILITARES, DIZ MINISTRO |
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JORNAL DO BRASIL 07/11/08 VASCONCELO
QUADROS O ministro Paulo Vannuchi,
da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), sugeriu nesta sexta-feira
que a resposta do Palácio do Planalto ao pedido de informações do Supremo
Tribunal Federal (STF) deve ser favorável à punição de policiais e militares
que se envolveram com tortura durante o regime militar. – Conheço a posição do presidente
Lula. Ele não quer passar para a História como o presidente que colocou uma
pedra em cima (dos casos de tortura) – afirmou Vannuchi,
depois de entregar, nesta sexta, na Advocacia Geral da União (AGU), pedido de
reconsideração da defesa apresentada pelo órgão na ação que corre Vannuchi disse que, na próxima terça-feira,
deverão estar prontos os pareceres que vão amparar a resposta do presidente
Lula ao ministro Eros Grau, relator da ação da Ordem dos Advogados do Brasil
(AOB), que pede uma nova interpretação da Lei da Anistia e da Constituição
diante dos casos de tortura contra presos políticos. Dos quatro ministros que
irão se pronunciar, apenas o da Defesa, Nelson Jobim, é contra a proposta da
OAB. Tarso Genro, da Justiça, Vannucchi e Dilma Roussef, da Casa Civil,
foram perseguidos durante a ditadura e são a favor da punição. Caso
em família A manifestação do presidente Lula, que
deve encaminhar o texto ao STF na quinta-feira, deverá fundir a posição dos
quatro ministros através de parecer que será escrito pelo advogado geral da
União, José Antonio Dias Toffoli. – O presidente vai arbitrar, mas
não levará em conta a experiência pessoal – disse Vannuchi.
Ele se refere ao fato de Lula, como
líder sindical no ABC paulista, ter visto um de seus irmãos, José Ferreira da
Silva, o Frei Chico, então militante do PCB, preso e
barbaramente torturado na prisão em 1975. O ministro dos Direitos Humanos
lembrou que o próprio relator da ação da OAB, Eros Grau, também foi preso
político, passou por tortura nos porões da ditadura e deverá fazer um
julgamento isento. O sofrimento de Frei Chico foi um
episódio marcante na vida de Lula. Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo do Campo, ele só se convenceu que havia tortura ao visitar o
irmão na cadeia do Hipódromo, “Se foi ruim para o corpo deles
(...), foi um salto de qualidade extraordinário na minha vida política. (...)
Aí eu passei a não ter mais medo” – lembra Lula no depoimento
prestado à jornalista Denise Paraná, publicado no livro O Filho do Brasil,
que vai virar filme. A descoberta do que ocorria nos porões levou Luiz Inácio
a radicalizar a atuação sindical e a se transformar no Lula que sacudiria o
país com as greves da Vila Euclides – o desafio que provocou a primeira
grande fissura na ditadura militar. Documentos
Vannuchi acha que o país deve se livrar das
mentiras que encobrem a tortura, as mortes e desaparecimentos forçados. – O jornalista Vladimir Herzog não se suicidou – afirmou o ministro.
– Ele morreu sob tortura. O ex-deputado Rubens Paiva não escondeu-se da família. Foi seqüestrado, morto e seu corpo
sumiu. O documento produzido pela SEDH diz que
tortura é imprescritível; cabe ação civil pública para apurar; e defende a
apresentação dos autos de destruição dos documentos militares do período, que
as Forças Armadas insistem em dizer que foram destruídos. O governo vai
publicar no Diário Oficial um edital de recolha, destinado a arrecadar
documentos do período – especialmente os que tratam da Guerrilha do
Araguaia – que se encontram com oficiais que
participaram da repressão, mas se recusam a colaborar com as investigações
sobre o paradeiro de desaparecidos políticos. |