COMISSÃO HOMENAGEIA
PARAIBANOS E ANISTIA GOVERNADOR JOSÉ MARANHÃO.
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MINISTÉRIO DA JUSTIÇA 09/07/09 João Pessoa, 09/07/09 (MJ)
– Com uma homenagem aos paraibanos que lutaram pela democracia no
período de repressão, foi aberta nesta quinta-feira (9), “Esse é o
reconhecimento da luta que nós fizemos em favor da democracia no Brasil. Não
apenas uma democracia de direito, mas de fato”, disse o governador.
“Sinto orgulho de receber esse pedido de desculpas, feito por um
governo eleito pelo povo a um cidadão cujo único crime foi defender, com
todas as forças, a soberania nacional”. Maranhão recebeu indenização de
R$ 100 mil, mas anunciou que vai doar o dinheiro a instituições de caridade
da Paraíba. Ao longo do dia, a
Comissão de Anistia julgará 70 requerimentos de paraibanos que afirmam ter sido perseguidos politicamente durante a ditadura. Os
pedidos de anistia estão sendo analisados por três Turmas de conselheiros.
“As perseguições e a violência das forças opressoras foram muito
intensas no Nordeste. Por isso, a história da ditadura não pode ser
restringida ao centro do país”, apontou Paulo Abrão. O presidente da Comissão
informou que, após esta sessão especial de julgamento, restarão poucos
processos de paraibanos na pauta do órgão. “Muito em breve, a Paraíba
se tornará o primeiro estado que terá a totalidade de processos avaliados
pela Comissão”, disse. Para o presidente da
OAB-PB, José Mário Porto Júnior, a Caravana é um momento histórico para o
estado. “Este ato fortalece os laços da democracia. A anistia é um dos
instrumentos que a sociedade tem para se reconciliar consigo mesma”,
afirmou. “Que hoje se faça justiça na casa paraibana dos direitos
humanos”. Lição de vida Presente no auditório
lotado, Elisabeth Teixeira viu sua imagem no vídeo de homenagem aos
paraibanos, transmitido no final da cerimônia. Aos 84 anos, ela permanece um
símbolo da luta pela reforma agrária no estado. Após a morte do marido, João
Pedro Teixeira, em 1962, Elisabeth assumiu seu lugar na liderança das Ligas
Camponesas, movimento social de homens e mulheres do campo. Fundador da organização,
João Pedro foi assassinado por dois policiais. “Ele me abraçava e dizia
que: ‘vou implantar a reforma agrária, mas vão tirar a minha
vida’”, conta Elisabeth, que acabou sendo presa pelo Exército. Após oito meses de prisão,
fugiu para o interior do Rio Grande do Norte. Foram 16 anos morando sozinha,
sem contato com os filhos e com o restante da família. Período em que viveu
como Marta Maria da Costa – nome inventado para se esconder da
repressão. “Foi duro, foi difícil. Mas faria tudo de novo”. |