GOVERNADOR
RECEBE PORTARIA DE ANISTIADO POLÍTICO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA.
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PARAÍBA.COM.BR 09/07/2009 JOSÉLIO CARNEIRO, DA SECOM-PB, COM
ASSESSORIA DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. O Presidente da
Comissão Nacional de Anistia, Paulo Abrão Pires Júnior, representando o
ministro da Justiça, Tarso Genro, entrega ao governador José Maranhão nesta
quinta-feira (9) a Portaria de Anistiado Político, outorgada pelo Ministério
da Justiça. A cerimônia será realizada no auditório da seccional paraibana da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PB), Rua Rodrigues de Aquino, Centro de
João Pessoa, às 10h30. José Maranhão
teve seu processo protocolado na Comissão Nacional de Anistia no dia 16 de
junho de 2004, foi apreciado em 7 de agosto de 2008 e agora encontra-se finalizado, apto para a assinatura e
publicação da Portaria. O então deputado estadual José Maranhão, à época do
MDB, foi cassado em 1969. De acordo com o ex-deputado Assis Lemos, cassado no
ano de 1964 pela Assembléia Legislativa, Maranhão também foi perseguido pela
ditadura militar sobretudo por ser amigo do então
presidente da República, João Goulart, e por sua atuação política em defesa
de interesses da Paraíba. A Anistia Política é concedida pelo Ministério da
Justiça a políticos e outras pessoas que tiveram mandatos cassados ou suas
atividades políticas suspensas pelo regime militar nas décadas de 60 e
70. De acordo com
Assis Lemos, cassado, preso e torturado nos anos 60 e amigo pessoal do
governador, a Portaria de Anistiado Político a José Maranhão é mais do que
pertinente, “pela injustiça que foi feita contra ele e centenas de
brasileiros das mais diversas correntes políticas que tiveram seus direitos
políticos suspensos por 10 anos”. Julgamento de
processos – Na lista dos 70 paraibanos que terão seus processos
julgados nestas quinta (9) e sexta-feira (10) O regime militar
não perseguiu apenas parlamentares. Diversos profissionais, intelectuais,
professores e sindicalistas também foram atingidos. Dentre os paraibanos com
direitos políticos cassados, o historiador José Octávio de Arruda Mello cita
Celso Furtado, José Joffily, Pedro Gondim, Sílvio Porto, Vital do Rego, Osmar de Aquino,
Assis Lemos, José Maranhão, Mário Silveira e Luiz Hugo Guimarães. Os
militares contavam com os serviços da Central Intelligence
Agency (CIA) e do antigo Serviço Nacional
Informação (SNI), hoje Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Golpe e consequências – De acordo com o historiador José
Octávio de Arruda Mello, o movimento dos militares começou no dia 1º de abril
de 1964. João Goulart era o presidente da República e ainda tentou resistir,
foi a Brasília no dia 1º, dia 2 ao Rio Grande do Sul, dia De início
tiveram os direitos políticos suspensos ou mandatos cassados (lista publicada
em 10 de abril daquele ano), figuras nacionais como Luiz Carlos Prestes, João
Goulart, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Jânio Quadros, Celso Furtado, no
total 100 nomes, incluindo lideranças sindicais e até chefes militares. Os
golpistas temiam resistências por parte dessas pessoas. Na primeira lista
figuravam seis paraibanos, dentre eles Celso Furtado, José Jofilly, Luiz Hugo Guimarães e dois generais Luiz Gonzaga
de Oliveira Leite e Silvino Castor de Andrade. As punições continuaram em 1965, ano em que o deputado estadual Assis
Lemos foi cassado na Paraíba, junto com Sebastião Nery, à época deputado pelo
Rio de Janeiro, além dos parlamentares Figueiredo Agra, Agassiz
de Almeida e seu irmão, Langstein, além de toda a
cúpula do Partido Comunista Brasileiro. Há informações de que a viúva do
economista paraibano Celso Furtado, a jornalista Rosa Aguiar, marcará
presença na solenidade desta quinta-feira na OAB-PB. No portal do Ministério
da Justiça estão disponibilizadas todas as informações sobre as ações da
Comissão de Anistia. Caravana
da Anistia julga 70 processos Brasília, (MJ)
– O papel da Paraíba na luta pela democracia no País será lembrado
nesta quinta-feira (9) na 25ª Caravana da Anistia. Durante o evento,
realizado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, haverá o
julgamento de 70 processos de anistia política – quase todos de
paraibanos que afirmam terem sido perseguidos durante a ditadura militar. O
presidente da Comissão, Paulo Abrão, abrirá a Caravana às 10h, no auditório
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Também
participam da cerimônia o governador José Maranhão, o prefeito de João
Pessoa, Ricardo Coutinho e o presidente da OAB-PB, José Mário Porto Júnior.
Após homenagem aos paraibanos atingidos pela repressão, será aberta a sessão
especial de julgamento da Comissão de Anistia. Três turmas de conselheiros
analisarão os 70 requerimentos. Um dos
paraibanos perseguidos pelo golpe militar de 64 foi Domingos Mendonça Neto,
ex-prefeito de João Pessoa, já falecido. Eleito em agosto de 1963, foi
cassado pelo então presidente Castelo Branco e teve seus direitos políticos
suspensos por dez anos. Professores e universitários expulsos de faculdades
também estão na lista. Nos processos, os requerentes relatam casos de prisões
arbitrárias, torturas físicas e psicológicas, espancamentos e demissões
sumárias. Caravana –
Desde seu lançamento, em abril de 2008, o projeto Caravana da Anistia já
percorreu 14 estados em todas as regiões do País. Além de dar transparência
ao trabalho e aos critérios da Comissão, a iniciativa tem o objetivo de
aproximar a juventude brasileira da temática da luta pela democracia. “O grande
significado do processo de reparação é o reconhecimento do Estado de que ele
errou com cidadãos brasileiros”, aponta Paulo Abrão. “Ao fazer
isso, nós lembramos que a democracia é um valor a ser preservado e, portanto,
não podemos mais permitir que autoritarismos voltem a acontecer na nossa
história”, completa. Criada em
País
terá Memorial da Anistia Política O Ministério da
Justiça está criando o Memorial da Anistia Política. Para tanto, a Comissão
de Anistia do Ministério da Justiça, em parceria com a Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG), a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores e a
Prefeitura de Belo Horizonte, realizou no dia 4 de junho passado, na capital
mineira, uma audiência pública, oportunidade em que foi apresentado o projeto
de implementação desse memorial. O órgão vai disponibilizar, para consulta pública,
os mais de 64 mil processos recebidos pela Comissão de Anistia, alguns com
documentos inéditos. O acervo incluirá, ainda, os arquivos que estão sendo
coletados desde maio de 2008 através de campanha de doação de documentos do
período da ditadura, como fotos, áudios e vídeos. Além da preservação e
difusão da memória política do País, resgatando a importância da luta pela
democracia, o Memorial será um centro nacional de pesquisas sobre o tema. |
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