COMISSÃO DE ANISTIA ANALISA PROCESSO DE CHICO MENDES

COMISSÃO DE ANISTIA 09/12/08

 

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça desembarca nesta quarta-feira (10) em Rio Branco (AC), para julgar processos de perseguidos políticos da região. O destaque é o caso do seringueiro, ambientalista e líder sindical Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes.

 
A reunião está marcada para as 10h, no Teatro Plácido de Castro. O Ministro da Justiça, Tarso Genro, fez questão de confirmar presença, pela admiração que sempre manteve à imagem de Chico Mendes. Também estarão presentes o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, e o governador Binho Marques.

 
O julgamento do processo do seringueiro faz parte de uma série de atividades no Acre e em outras localidades brasileiras em memória aos 20 anos de seu assassinato. Na semana passada ele foi homenageado em sessão solene no Congresso Nacional, em Brasília.

 
A sessão em rio Branco também marca a 17ª edição (última deste ano) da Caravana da Anistia. Desde abril, quando foi lançada, passou por onze estados.

 

A Caravana leva a analise dos requerimentos aos locais onde se deram os fatos, contribuindo para a divulgação da história do país, para o fortalecimento da democracia e para uma maior transparência dos trabalhos da Comissão de Anistia – que desde 2001 já apreciou mais de 40 mil pedidos.

 
Entre os casos analisados estão os do ex-presidente João Goulart, do ex-governador do RJ e RS Leonel Brizola, e do jornalista Ziraldo Alves Pinto.

 
Líder ambientalista

Chico Mendes nasceu em Xapuri, no Acre, em 1944. Seringueiro, sindicalista e ativista ambiental, destacou-se na luta pela preservação da floresta amazônica. Foi assassinado na porta de sua casa, na mesma cidade, uma semana após completar 44 anos, em 1988.

 
Em dezembro de 1990, a Justiça condenou a 19 anos de prisão pelo crime os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darcy Alves da Silva. O pedido de anistia foi protocolado na comissão em 2005 por sua viúva, Ilzamar Mendes.

 

Na caravana da Anistia do Acre, serão julgados os  processos de:

 

João Moreira de Alencar: Militante do PTB.  Trabalhador autônomo. Ajudou a organizar o Grupo dos Onze em Rio Branco. Preso e perseguido pelo governo militar.

 

Edílson Rodrigues Martins: Jornalista. Membro do Movimento de Libertação Nacional (MOLINA) e do PCBR. Preso e demitido por perseguição política.

 

João Ricardo Bessa Freire: Professor. Dirigente da Associação dos Professores do Amazonas. Ajudou na fundação de grêmios estudantis e foi de encontro aos programas educacionais do Governo militar. Contratado como Professor-coordenador do Projeto Rondon em Manaus, demitido por lutar contra o regime ditatorial.

 

Lourival Messias de Oliveira: Participou do Grupo dos Onze em Rio Branco, preso e condenado.

 

Epaminondas Jacome Rodrigues: Dirigente do Diretório Central dos Estudantes Secundaristas de Brasília. Metalúrgico no ABC. Preso, torturado. Exilado na Argentina, onde é preso e barbaramente torturado. Refugia-se em Portugal, onde passa a ser representante do ACNUR. Retorna ao Brasil em 1979. Recebeu, em 1995, o prêmio Chico Mendes.

 

Francisco Alves Mendes Filho – Chico Mendes: Seringueiro. Líder do Sindicato dos Seringueiros de Xapuri e do movimento “Empata” – abraçavam as seringueiras com o objetivo de protegê-las e evitar a derrubada. O Guerreiro da Floresta “Mapinguarifoi processado e incurso na Lei de Segurança Nacional por incitação à desordem e ao crime, juntamente com Lula e outros companheiros. Foi brutalmente assassinado em 1988.