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EFRAIM CONDENA "FABRICAÇÃO DE CRISE" COM A
LEI DE ANISTIA |
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AGÊNCIA SENADO 10/11/08 O senador Efraim Morais
(DEM-PB) disse nesta segunda-feira (10) que a tortura constitui uma anomalia
que merece condenação moral permanente, mas observou que fabricar uma crise
política revolvendo o passado enquanto a conjuntura já oferece desafios mais
que suficientes é inaceitável. O senador referia-se ao movimento liderado
pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, para excluir da Lei de Anistia aqueles
que praticaram tortura durante o regime militar. - Anistia é perpétuo esquecimento - afirmou. Efraim lembrou que foi a Lei de Anistia,
sancionada há quase 30 anos, que possibilitou a transição pacífica do regime
autoritário para a democracia. Ele ressaltou que foi graças a essa lei que
foi possível, em 1984, eleger um presidente civil e devolver o Brasil ao
pleno estado democrático de direito. - De lá para cá, vivemos algumas crises
institucionais graves - entre as quais o impeachment de um presidente
da República, Fernando Collor, e o quase impeachment de outro, o
presidente Lula - sem que nenhuma ordem do dia pontuasse esses momentos. São
25 anos de ausência de interferências militares, o mais longo período de
absenteísmo castrense da história republicana brasileira. E é disse que se
trata: saber se queremos restabelecer um confronto entre o poder civil e o
militar - advertiu. O senador disse que não se trata de avaliar
moralmente a situação dos torturadores, pois já foram submetidos à condenação
moral e estão banidos da vida pública. Para Efraim, a avaliação que se deve
fazer é se convém abrir mão dessa conquista para revolver o passado. Ele
assinalou que a lei que considera a tortura imprescritível (1997) é posterior
à da Anistia (1979) e há um princípio legal que impede a sua retroação para
prejudicar. - Mexer na Lei de Anistia significa quebrar um
pacto político que deu certo. Os perseguidos do regime militar, que reclamam
essa reparação, estão hoje no poder e têm as Forças Armadas, seus adversários
de então, sob controle. Mudar esse panorama, em nome do que quer que seja, é,
a meu ver, uma temeridade. Mexer com os que torturaram implica mexer com os
que pegaram em armas, o que envolverá o ministro Tarso Genro, a ministra da
Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministros da Secretaria Geral da Presidência
da República, Luiz Dulcci, e da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins -
disse. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse,
em aparte, que a tortura é condenável sob todos os aspectos, mas observou que
o ministro Tarso Genro, em sua opinião, está querendo desviar o foco da má
gestão do Ministério da Justiça e montar um palanque para a eleição de 2010. O senador Augusto Botelho (PT-RR) disse que a
anistia ampla, geral e irrestrita é um acordo que precisa ser cumprido e que
o governo deveria se preocupar com as torturas que ocorrem diariamente nas
prisões brasileiras. O senador Mão Santa (PMDB-PI) disse que não é possível
que um "casal de aloprados atire no chefe de outro Poder", fale sem
a concordância do presidente da República e nada aconteça. |