AGÊNCIA ESTADO 11/10/08
O
Ministério da Justiça fez uma homenagem aos estudantes presos em Congresso da
UNE. Entre eles, estavam o ex-ministro José Dirceu, líder
estudantil em São
Paulo na época
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
promoveu na sexta-feira, em São Paulo, uma homenagem aos estudantes presos
durante o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em
1968 em Ibiúna (SP). Um dos principais homenageados foi o ex-ministro José
Dirceu, líder estudantil em São Paulo na época e um dos organizadores do
encontro.
Também estava lá Jean Marc Von der Weid, líder
estudantil no Rio de Janeiro na mesma época. Weid
era o candidato com melhores chances de vencer a eleição da UNE prevista para
aquele congresso. Em capítulo de um livro que será lançado em dezembro, ele
desfere pesado ataque a Dirceu: "Ele e sua turma nos levaram ao maior
desastre da história da UNE".
Segundo Weid, que acabaria sendo eleito presidente
num congresso clandestino no ano seguinte, foram
Dirceu e sua facção que organizaram o Congresso. O ex-ministro negou
responsabilidade direta na organização e chamou de "irrelevante" a
discussão sobre o assunto.
Para homenagear os estudantes presos, a Secretaria Especial dos Direitos
Humanos inaugurou na Estação Pinacoteca do Estado dois painéis: um com a
lista dos 719 presos em Ibiúna e outro com as fotos dos 23 estudantes mortos
na época da ditadura. Um dos homenageados na lista é o ministro da
Comunicação de Governo, Franklin Martins.
Ao lembrar o evento, do qual não participou porque já respondia a um processo
na Justiça Militar e temia uma nova prisão, o ministro Tarso Genro (Justiça)
fez questão de homenagear a senhora que cedeu o sítio de Ibiúna aos
estudantes para a realização do Congresso: Neusa Ferreira de Souza, hoje com
61 anos.Ela recordou que na época ainda estava
pagando as prestações do imóvel. "Acabei perdendo tudo porque fui
presa".
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