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O PASSADO
REPETIDO |
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O POVO 11/11/08 MÁRIO ALBUQUERQUE Pela
segunda vez, nesse ano, o Comando Militar do Leste é envolvido publicamente
em denúncia de crimes de tortura contra cidadãos civis, sendo o primeiro o
caso dos três jovens do morro da Providência (que teriam sido entregues para
serem mortos por traficantes) e agora o jovem J.S.G,
de 16 anos, que acusa a Polícia do Exército de ter jogado substância ácida e
aplicado choques elétricos sobre seu corpo. Nos dois casos, a reação inicial
do Exército foi a de que "desconhece o assunto". E só diante
da repercussão do fato, de que "vai instaurar um rigoroso
inquérito". Estamos
diante de uma situação que vai se configurando uma repetição de um
acontecimento que marcou o governo Geisel durante a ditadura, envolvendo os
assassinatos nas dependências do II Exército, sediado Estamos,
agora, diante de uma situação que vai tomando a mesma feição, ou seja, a
contínua repetição de atos criminosos de tortura numa mesma área militar, o
II Exército, e sob um mesmo comando, o do general-de-Exército
Luiz Cesário Silveira Filho, o mesmo que recentemente esteve presente num ato
no Clube Militar em solidariedade ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, assim declarado pelo Tribunal de Justiça de São
Paulo. Assim
como o projeto de abertura de Geisel no passado, o destino do nosso jovem
Estado Democrático de Direito está diante do desafio de setores
recalcitrantes da ditadura que teimam na prática de crimes que violam nossa
Constituição e envergonham nosso país frente ao mundo. Enganam-se,
perigosamente, de boa ou má fé, os que apregoam a impunidade aos torturadores
da ditadura. Cada vez mais fica evidente a relação dessa impunidade com o
presente de exponencial aumento da violência e da tortura. Assim como na vida
pessoal, também na história das nações o recalcado retorna. E piorado. |