CHINAGLIA RELEMBRA CONSEQÜÊNCIAS DO AI-5 NA HISTÓRIA DO PAÍS

AGÊNCIA CÂMARA 11/12/08

 

LUIS CRUVINEL

 

O AI-5 permitia cassar mandatos eletivos e até suspender o habeas corpus em alguns casos.


O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse, durante ato oficial que lembra a passagem dos 40 anos do Ato Institucional número 5 (AI-5) nesta manhã, que é preciso preservar a memória dos crimes do passado para evitar que eles se repitam.


Chinaglia lembrou que o AI-5 foi editado em um contexto de movimento estudantil crescente e de manifestações da classe operária contra a ditadura. Entre as graves conseqüências do AI-5, o presidente lembrou o fechamento do Congresso Nacional em 13 de dezembro de 1968 (dia da edição do Ato), que acabou sendo reaberto só em outubro de 1969. Outra conseqüência lembrada por Chinaglia foi a redução, em fevereiro de 1969, do número de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - de 16 para 11 - e a transferência do julgamento de crimes contra a segurança do STF para a Justiça Militar.


Cassação de parlamentares


O presidente lembrou ainda as cassações ocorridas no período e citou um estudo do professor de Sociologia Gilson Caroni Filho que afirma que, a partir do AI-5, 273 mandatos parlamentares foram suspensos, sendo 162 estaduais e 11 federais. Ainda segundo esse estudo, até o fim do Governo Médici o AI-5 foi usado 579 vezes e atingiu 145 funcionários públicos, 142 militares, 102 policiais e 28 funcionários do Poder Judiciário. Só no primeiro ano do AI-5, 219 professores universitários foram afastados, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o sociólogo Florestan Fernandes.


"O AI-5 inaugurou um dos períodos mais tenebrosos da história do País, que durou 10 anos e 18 dias", disse Chinaglia.


Convidados


Foram convidados para a cerimônia, realizada no Salão Verde da Câmara, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes; o ministro da Justiça, Tarso Genro; o presidente do Senado, Garibaldi Alves; o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto; a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf; e o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas.