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40 ANOS APÓS
AI-5, GOVERNO CONCEDE ANISTIA A EX-PRESOS POLÍTICOS |
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FOLHA
DE S.PAULO 12/12/08 Às vésperas dos 40 anos do Ato Institucional nº5, o
Ministério da Justiça promoveu nesta sexta-feira evento para lembrar o ato e
também discutir seus significados na política do regime. Durante o encontro,
a Comissão de Anistia --ligada ao ministério-- também realizou o julgamento
de quatro ex-presos do regime militar. O presidente da comissão, Paulo Abrão, afirma que a
proposta, ao revisar o tema, é discutir seus reflexos ainda bastante presentes na atualidade. Segundo ele, ainda há na
sociedade uma "cultura do medo" que pode ser associado às barbáries
cometidas durante o regime militar. "A cultura de subserviência que o povo mais
humilde ainda tem perante autoridades, entendendo que a participação na vida
cidadã não é um objeto apropriado a toda a população. O estereótipo que os
movimentos sociais ainda sofrem como subversivos, dentro de uma lógica que é
do regime autoritário. O sentimento de injustiça que os brasileiros ainda têm
sobre os torturados. Abusos das funções publicas em
plena democracia, como a prática da tortura. Tudo isso ainda é reflexo do
AI-5", afirma Abrão. No julgamento de hoje, a comissão decidiu que o
governo deve pagar indenização no valor de R$ 310 mil, mais R$ 2.000 mensais
ao ex-militante de organizações armadas, Jorge Raimundo Nahas
--preso, torturado e condenado por infringir a Lei de Segurança Nacional. Délio de Oliveira Fantini,
militante da organização Corrente Revolucionária, de Minas Gerais, também
receberá a indenização do Estado. O valor estipulado para ele será de R$ 100
mil, sem remuneração mensal. Já falecidos, os ex-deputados Paulo Macarini e Marcílio Doutel --que tiveram seus direitos políticos cassados
durante o regime-- também foram anistiado e suas viúvas receberão
indenizações no valor de R$ 100 mil. "A importância [da anistia] é resgatar a honra
e promover uma retratação pública por parte do Estado a essas pessoas",
afirma Abrão. Balanço Criada em Até agora, a comissão informa já ter julgado 38 mil
casos. Destes, 13 mil foram indeferidos e 25 mil deferidos --cerca de 10 mil
com direito a indenizações. Nos demais casos, o requerente recebeu pedidos
formais de desculpas por parte do Estado. |