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COMISSÃO DE ANISTIA DECLARA LEONEL BRIZOLA ANISTIADO
POLÍTICO |
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O GLOBO 13/10/08 EVANDRO
ÉBOLI A
Comissão de Anistia aprovou nesta segunda-feira, por unanimidade, a condição
de anistiado político post-mortem do ex-governador do Rio e candidato por
duas vezes à presidência da República Leonel Brizola e também a contagem de
tempo, para efeitos previdenciários, dos 15 anos em que ele viveu no exílio.
O período no exílio contará como se Brizola tivesse trabalhado regularmente.
O pedido foi feito por Marília Guilhermina Martins Pinheiro, que viveu com
Brizola uma união estável de 11 anos, até a morte do fundador do PDT, em
2004. A
família do ex-governador, no entanto, reagiu contrariada com a iniciativa da
ex-companheira de Brizola. José Vicente Brizola, filho
mais velho de Brizola, questionou a legitimidade de Marília e disse que ela
não viveu em união estável com o pai: -
Marília nunca foi companheira de meu pai. Foi uma namorada a mais dele após a
morte de minha mãe (Neuza Goulart), única esposa na vida dele. Não há nada
que prove que ela (Marília) teve relação mais séria com ele. Estamos
indignados - criticou. Para
os conselheiros, o documento que comprova a união estável é um ato de
fevereiro de 2005 do então presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) que
concede a ela pagamento de metade da pensão de ex-parlamentar do pedetista.
No documento, Marília aparece como "companheira do ex-deputado federal
Leonel Brizola". Mas a família do pedetista diz que ela jamais morou com
o político. O deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) disse que Marília foi
namorada do avô, mas que raramente era vista com ele em público. -
Causou constrangimento na família esse pedido. Meu avô jamais pediu qualquer
reparação pecuniária. Para ele, sua anistia veio das urnas. E sua única
mulher foi minha avó. A Marília foi namorada e só esporadicamente ele a
apresentava a algumas pessoas. Pensão
pode chegar a R$ 6 mil A
relatora do processo, conselheira Roberta Baggio, deu parecer favorável e, em
seu voto, enalteceu a figura política de Brizola, classificando-o como
exemplo para a vida pública brasileira. Acompanharam
o relatório de Baggio a conselheira Marina Steinbruch
e o presidente da comissão, Paulo Abrão. Marília Guilhermina não esteve
presente à sessão e foi representada por Alexadrina
Cristensen, presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos. Segundo
Alexandrina, com a possibilidade da contagem de tempo do período de exílio,
Marília irá reivindicar na Câmara dos Deputados a revisão da pensão que
recebe como dependente de Brizola referente ao período em que ele foi
deputado federal, hoje de cerca de R$ 2 mil. A expectativa, de acordo com
Alexandrina, é que esse valor chegue até R$ 6 mil. Marília
provou no processo da comissão ser dependente do falecido governador,
anexando cópia do Diário Oficial na qual aparece como sua pensionista. Em
2004, ela passou a receber pensão de R$ 6.300 do governo do Estado do Rio. -
É mais um processo marcante, histórico e a comissão tem a possibilidade de
apurar e cumprir sua tarefa histórica com os principais personagens da vida
pública do país - disse o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão,
antes da sessão da Comissão de Anistia. Está
marcada para sexta-feira, na Assembléia Legislativa de Porto Alegre, uma
homenagem a Brizola. Foi lá que ele começou sua carreira política, como
deputado estadual. A portaria declarando Brizola anistiado será assinada
nesse evento pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Marília
Guilhermina não pediu no processo qualquer valor como reparação econômica ou
indenização adicional. Seu processo tramitou de forma acelerada na comissão.
O pedido foi protocolado em dezembro de 2007 e, agora, dez meses depois, é
aprovado. Filhos
de Brizola pediram indenização por perseguição Os
três filhos de Brizola com a esposa Neusa Goulart pediram indenização na
comissão, alegando perseguição do regime militar, mesmo quando crianças, mas
não requereram a condição de anistiado político do pai. Os casos não foram
julgados até hoje. José Vicente protocolou seu pedido em 2002; João Otávio e Neusinha, no fim de 2005. "O
requerente foi obrigado, juntamente com seus familiares, a sacrificar seus
sonhos e sua vida no Brasil, inclusive aquela do exercício profissional, e
ficou obrigado a ficar mudando de país, temendo a Operação Condor (ação que
perseguiu esquerdistas na América Latina)", diz um trecho do pedido
feito por João Otávio. |