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EX-CABOS SEM
INDENIZAÇÃO |
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CORREIO BRAZILIENSE 14/01/09 Comissão decide não conceder anistia
aos desligados da Aeronáutica durante o regime militar. Segundo TCU, eles não
foram vítimas de perseguição política EDSON LUIZ O
governo vai por um fim às pretensões de mais 3 mil
ex-cabos da Aeronáutica, desligados da Força durante o regime militar. Depois
de quase cinco anos esperando resultados de decisões judiciais, a comissão do
Ministério da Justiça vai publicar nos próximos dias a relação dos
ex-militares que tiveram seus pedidos de anistia e reparação financeira
negados. Mesmo assim, outros 7 mil casos permanecem
na comissão para serem analisados até 2010. No fim do ano passado, uma
auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) considerou que os ex-cabos não
foram vítimas de perseguição política na ditadura. Os
processos começaram a ser analisados pela Comissão de Anistia do Ministério
da Justiça em 2002. Na ocasião, 4 mil casos foram
aprovados, mas 495 eram de pessoas que tinham entrado na Aeronáutica depois
de 1964, quando a Força editou uma portaria proibindo que militares engajados
a partir daquele ano não pudessem continuar na carreira. A medida tinha como
objetivo evitar manifestações políticas dos cabos. O
Ministério da Defesa contestou a aprovação da anistia e da reparação
econômica para os 495 casos, alegando que os cabos que haviam
se engajado depois da edição da portaria sabiam de sua existência e que não
poderiam continuar na corporação por determinado tempo. Antes da medida da
Aeronáutica, o reengajamento era constante. A Comissão de Anistia acatou o
parecer dos militares e indeferiu os processos em 2004, que hoje totalizam
3.117. Mas
somente agora o Ministério da Justiça vai publicar a relação dos ex-cabos que
perderam direito à anistia e indenização, oficializando a decisão, tomada em
2004. “Foram abertos os procedimentos para anular os atos, mas houve
liminares na Justiça e também uma auditoria do TCU que avaliou os
casos”, afirma o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão.
“Sem dúvida, o grupo (dos ex-cabos) é o mais complexo hoje em
análise”, acrescenta. Na
sua decisão, tomada em dezembro passado, o TCU reconheceu as ilegalidades dos
pagamentos, mas não se manifestou sobre os atos do Ministério da Justiça. Em
seu relatório, baseado na auditoria feita na Comissão de Anistia, o ministro
Benjamin Zymler disse que o tribunal poderia se
manifestar apenas na questão financeira. “A atuação
desta Corte deve cingir-se à verificação dos procedimentos, disse Zymler. “Não se extrai do texto
constitucional qualquer possibilidade de o TCU adentrar terreno da discricionalidade política dos atos de governo.” |