PRESIDENTE DA COMISSÃO
DE ANISTIA QUER RESPONSABILIZAÇÃO POR CRIMES
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JORNAL PEQUENO 14/01/09
O
presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Júnior, afirmou que é
fundamental o governo federal definir um plano interno de responsabilização
dos crimes de tortura do período militar (1964-1985). Segundo ele, isso
evitará questionamentos em tribunais internacionais. Pires Júnior ressaltou
que no momento a decisão está sob responsabilidade do STF (Supremo Tribunal
Federal). “O
Brasil poderá ser acionado internacionalmente se não conseguir, no plano
interno, dar cumprimento aos tratados de proteção à
pessoa humana de que é signatário. O papel histórico agora cabe ao
STF”, disse o presidente da comissão. Para
Pires Júnior, a ausência de um plano relativo à responsabilização dos crimes
de tortura inclui o Brasil entre os países que desrespeitam os direitos
humanos. “A
não promoção das ações inclui o país [o Brasil] em um lastimável rol de
nações que não são capazes de efetivar plenamente um sistema de justiça
imparcial e independente após o período de exceção e, o que é pior, deixa
sobre o país a pecha de local onde não se respeitam os direitos
humanos”, disse. Efeitos
– Segundo Pires Júnior, a demora de uma resposta ao tema também pode provocar
ameaças à solução de questões relativas à política e economia internas. “Isso
prejudica o Brasil politicamente, uma vez que demonstra incapacidade em
resolver questões relevantes na política interna, e ainda pode afetar o país
em outras dimensões, como a própria dimensão econômica, uma vez que um
conjunto significativo de empresas socialmente responsáveis consigna o
investimento no exterior à atenção dos países para com os direitos
humanos”, disse o presidente. A
responsabilização dos crimes de tortura dividiu ministros e setores do
governo. O ministro Tarso Genro (Justiça) foi publicamente favorável à
medida, enquanto Nelson Jobim (Defesa) afirmou que a Lei de Anistia havia
resolvido a questão. Entidades civis reagiram e o
assunto foi parar na Suprema Corte. Porém,
foram encaminhados questionamentos à Comissão Interamericana de Direitos
Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) e o governo brasileiro se
viu obrigado a dar explicações. Pires Júnior foi encarregado de falar em nome
do governo. “Quando
o Ministério da Justiça aceitou a proposta das entidades de direitos humanos
em promover este debate, nós [integrantes do governo] sabíamos que esse não
seria um debate nosso, mas sim da sociedade brasileira”, afirmou Pires
Júnior. “As instituições, hoje, encontram-se mobilizadas por Justiça,
sendo um exemplo efetivo o do Ministério Público Federal, que vem propondo
ações. Mais que isso, a sociedade civil mais ampla apropriou-se do
tema.” |