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DIÁRIO DE
NATAL 14/11/08
O governo federal vai anistiar, no próximo sábado,
em Natal, João Goulart, ex-presidente deposto pelos militares em 31 de março
de 1964, ato que desencadeou a ditadura que perduraria no Brasil pelos
próximos 21 anos.
Será a primeira vez que um ex-ocupante do Palácio do Planalto é anistiado por
perseguição política. O presidente Lula recebeu anistia do Ministério do
Trabalho em 1994, antes, portanto, de ser eleito -o
então líder sindical ficou um mês preso em 1980.
O pedido, protocolado na Comissão de Anistia, ligado ao Ministério da
Justiça, foi feito pela família de Jango. Há dois processos, que foram
apensados: um em nome do ex-presidente, de 2004, e outro no de sua mulher,
Maria Thereza, anexado ao primeiro neste ano.
Os pedidos requerem o reconhecimento simbólico da anistia e pedem ainda
reparação econômica -o valor será definido no
julgamento.
Eleito vice-presidente de Jânio Quadros em 1961, Jango assumiu o país sete
meses depois, com a renúncia do presidente. Enfrentou resistências de alas
conservadoras até ser deposto, em 1964, quando partiu para um exílio que
nunca deixou: ele morreu na Argentina, por problemas cardíacos, em dezembro
de 1976, aos 58 anos.
“Esse talvez seja o processo mais simbólico, pois trata de um
presidente deposto num ato que instaurou a perseguição e a ditadura”,
disse Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia.
“Será um julgamento histórico e importante para resgatar a memória do
Jango”, afirmou João Vicente Goulart, um dos filhos do ex-presidente.
O evento em Natal será no encerramento da 20ªConferência Nacional dos
Advogados, que começa amanhã, e contará com a presença dos ministros Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) e Tarso Genro (Justiça), além
do presidente da OAB, Cézar Britto.
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