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FILHO DE
GOULART DEFENDE INDENIZAÇÃO DOS EUA PELO GOLPE DE 64 |
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AGÊNCIA CÂMARA 15/10/08 GUSTAVO MORENO João
Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, afirmou nesta
quarta-feira que o governo dos Estados Unidos é co-responsável pelo golpe militar
de 1964, e, portanto, deve ao povo brasileiro uma reparação. É o que sustenta
que foi deposto pelo golpe e depois morreu de enfarte em seu exílio no
Uruguai, já na década de João
Vicente foi um dos 17 palestrantes do evento, que se encerra amanhã. Entre
outros, foram abordados temas como o papel do Ministério da Justiça e da
Comissão de Paz nas ações de reparações aos anistiados, operações realizadas
por regimes militares em outros países da América Latina, medida para
responsabilizar agentes públicos que praticaram crimes contra direitos
humanos, o acesso a documentos sigilosos e as conseqüências da Lei da
Anistia. Morte
de Goulart João
Vicente lembrou que a confissão de um ex-agente da antiga ditadura uruguaia,
hoje preso no Brasil, mostra que o ex-presidente Goulart foi assassinado por
meio de uma troca criminosa de medicamentos. Ação
contra EUA João
Vicente criou e dirige o Instituto Presidente João Goulart, dedicado ao
resgate da memória histórica nacional, que está movendo uma ação de
responsabilidade civil, na Justiça brasileira, contra o governo dos Estados
Unidos. "Decidimos ingressar com essa ação porque ficamos indignados com
a declaração do ex-embaixador dos Estados Unidos à época, Lincoln Gordon, de
que a embaixada operou uma verba secreta de 5 milhões de dólares para apoiar
o golpe", explicou João Vicente. Ele
lembrou que Gordon deu essa declaração publicamente, à imprensa, quando
retornou ao Brasil, no ano passado, para lançar um livro. "Gordon é réu
confesso", afirmou João Vicente. A
ação contra os Estados Unidos foi rejeitada em primeira instância. O juiz
declarou a Justiça brasileira incompetente para julgá-la. por
considerar a ação americana um "ato de império". No Superior
Tribunal de Justiça (STJ), porém, a ação já obteve dois votos favoráveis.
Para os ministros que votaram a favor, não houve um "ato de
império", mas um "ato de gestão", para cujo julgamento a
Justiça brasileira é, sim, competente. Segundo
o filho de João Goulart, o golpe de 64 "foi uma intervenção política
criminosa das elites brasileiras, que usaram as Forças Armadas e tiveram o
apoio da Agencia Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos". Prazo
de sigilo Na
palestra sobre o sigilo de documentos sobre o regime militar, o
secretário-geral do Conselho Nacional do Ministério Público, procurador José
Adércio Leite Sampaio, defendeu a tese da inconstitucionalidade da Lei
11.111/05, que trata do acesso público aos arquivos deste período. Segundo
Sampaio, essa lei estabelece obstáculos que, na prática, impedem o acesso aos
registros, e representa um "cheque em branco" passado ao Executivo,
uma "delegação absurda" de atribuições que, pela Constituição
vigente, seriam próprias do Congresso Nacional - daí a sua incompatibilidade
com o texto constitucional. Pela
Lei 11.111/05, alguns arquivos relativos a operações militares e de repressão
do antigo regime de exceção são considerados sigilosos por 30 anos,
prorrogáveis por outros 30. Além disso, a MP 228/04 prevê que esse prazo pode
ser prorrogado indefinidamente, a critério da Comissão de Averiguação e
Análise das Investigações Sigilosas - organismo de caráter interministerial
do governo federal. "Para
que tanto sigilo?", questiona Sampaio. Para ele, o objetivo não é apenas
dificultar reparações e indenizações, mas também evitar avaliar
responsabilidades passadas do Estado brasileiro. O procurador sugeriu que o
Congresso Nacional declare a inconstitucionalidade pelo menos parcial da Lei
e da MP, revogando as partes que tratam dos prazos de sigilo. |