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JANGO RECEBE ANISTIA DEPOIS DE DERRUBADO PELA DITADURA MILITAR |
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AGÊNCIA
BRASIL 15/11/08 Quase meio século após ser deposto da Presidência da
República pela ditadura militar, João Goulart recebeu anistia política. A
decisão foi tomada em julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da
Justiça realizado neste sábado. A viúva do ex-presidente, Maria Teresa Goulart,
também foi anistiada. Esta foi a primeira vez que um ex-presidente da
República é anistiado por perseguição política. O fato torna-se histórico também pelo fato de a
deposição de Goulart ter sido o marco do início da ditadura militar que se
estabeleceu no país por cerca de 20 anos. O pedido de anistia a João Goulart
foi feito por Maria Teresa Goulart e inclui um pedido de reparação econômica.
A viúva receberá pensão mensal no valor de R$ 5.425,
valor que corresponde ao salário de um advogado sênior. João Goulart era
bacharel em direito e a comissão considera que o exílio político o impediu de
exercer atividade remunerada no país. A pensão é retroativa a 1999. A comissão também determinou que seja
paga a Maria Teresa uma indenização de 480 salários mínimos, respeitado o
limite de RS 100 mil previsto em lei, por ter permanecido 15 anos no exílio. A data em que se comemora a Proclamação da República
foi escolhida para o julgamento pelo simbolismo de também representar a
deposição de um regime de governo. Foi nessa data, em 1889, que a monarquia
foi derrubada e se instaurou o regime republicano. - Não existe ocasião melhor para anistiar um
presidente que foi deposto por um regime que não desejamos que volte -
afirmou o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão. Segundo ele, a anistia a Jango representa um pedido
de desculpa do estado por ter perseguido um cidadão brasileiro. A família do
ex-presidente foi representada pelo neto de Jango, Cristofer
Goulart. Emocionado, ele fez um discurso em que destacou as realizações do
avô na Presidência da República e comemorou o reconhecimento. - Creio que é uma consolidação das instituições
democráticas no Brasil e uma resposta a aquele regime de exceção que perdurou
no nosso país - disse. Jango, como era conhecido, foi eleito vice de Jânio
Quadros em 1960. No ano seguinte, com a renúncia de Quadros, assumiu a
Presidência e foi deposto em 1964 pelos militares que então assumiram o
poder. O ex-presidente teve os direitos políticos cassados
por 10 anos e partiu para o exílio, onde permaneceu até sua morte em 1876. O
governo de Jango foi marcado por tensões políticas com os militares que
associavam seu governo a idéias socialistas. A sessão de julgamento do pedido de anistia ocorreu
durante a 20ª Conferência Nacional dos Advogados. O julgamento foi assistido
por várias autoridades, entre elas os ministros da Justiça, Tarso Genro, da
Secretaria Especial de Direitos Humanos, Tarso Genro e os presidentes da
Câmara, Arlindo Chinaglia, e do Senado, Garibaldi
Alves. |