COMISSÃO DE ANISTIA QUER MAIS TEMPO E ESTRUTURA PARA O TRABALHO

VERMELHO 17/10/08

 

MÁRCIA XAVIER

 

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), presidente da Comissão de Anistia, recebeu com naturalidade a notícia de que o funcionamento da comissão será prorrogado. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), esta semana, durante o 2o Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, que aconteceu na Câmara. Daniel lembrou que a Casa ficou dois meses – durante a campanha eleitoral para o primeiro turno das eleições municipais – sem funcionamento normal, portanto a prorrogação é necessária.

 

Outra razão para a prorrogação dos trabalhos, segundo ele, é que o objetivo da comissão é acompanhar a aplicação da Lei da Anistia e essa atividade é um processo permanente.


O deputado identifica várias gargalos e obstáculos para a realização do trabalho de aplicação da Lei. E adianta que a solução será a melhoria da estrutura para a avaliação e atendimento dos casos – que não é suficiente - e maior grau de unidade das instituições que atuam na área.


Segundo ele, a comissão vai elaborar um relatório fazendo diagnóstico da situação e indicando solução.


Entre vítimas e algozes


Ele aponta como principal problema para aplicação da lei o fato do Brasil ter dificuldades em fazer rupturas no processo político. E explica que a Lei da Anistia foi feita em 1979, pelos militares ainda no poder, o que representou um pacto entre vítimas e algozes e não apenas um desejo das vítimas. “É uma consertação, por isso ela é restritiva”, destaca.


Nessas restrições residem os problemas da aplicação da lei. Por isso, ele defende as discussões que podem clarear os objetivo da lei. Para ele, eventos como o Seminário Latino-Americano de Direito Humanos e Anistia realizado esta semana, na Casa, representa mais um espaço de mobilização para cobrança da Lei da Anistia.


Daniel Almeida defende mais e aprofundadas discussões sobre os objetivos da lei, ao mesmo tempo em que afasta a possibilidade de uma revisão, “porque isso só retardaria ainda mais a aplicação da Lei”, esclarece.