TARSO OFICIALIZA A ANISTIA CONCEDIDA A LEONEL BRIZOLA

ZERO HORA 17/10/08

Ministro participou da abertura dos trabalhos da Caravana da Anistia em Porto Alegre

LEANDRO FONTOURA

 

Durante cerimônia na Assembléia Legislativa na manhã desta sexta-feira, o ministro da Justiça Tarso Genro assinou a portaria que declarou anistiado o ex-governador Leonel Brizola. A anistia foi concedida no último dia 13, em Brasília.


A presença de Tarso faz parte da passagem pelo Estado da Caravana da Anistia, que julgará outros sete casos de perseguição política na época da ditadura. O primeiro processo a ser analisado hoje foi o do deputado estadual Raul Pont (PT).


Pont foi preso por 10 dias após ter participado do 30º Congresso da UNE, em 1968. Aprovado em concurso da Petrobras, não foi contratado por causa da atuação política. Foi torturado durante 20 dias. Conforme a decisão, receberá R$ 2 mil mensalmente e uma parcela retroativa, no valor de R$ 267.733,33.


— É importante a gente ter algum tipo de reparação sobre aquilo que nos foi tirado. Teve gente que perdeu a vida. Eu era funcionário público concursado do Instituto de Previdência do Estado. Fui aprovado em concurso da Petrobras e nem me deixaram trabalhar. Me impediram o ingresso, mesmo tendo sido aprovado — disse Pont.


Criada em 2001, a Comissão de Anistia analisa os requerimentos de pessoas que informam terem sido perseguidas pelo Estado brasileiro entre 1946 e 1988. Em caso de decisão favorável, o autor é declarado anistiado político, podendo ou não receber indenização.


Tarso comenta conflitos


Como ministro da Justiça, foi inevitavelmente cobrado de Tarso sua posição sobre os conflitos ocorridos ontem nas cidades de Porto Alegre e São Paulo. Sobre a violência na capital paulista, o ministro disse que o embate entre as polícias civil e militar desgasta as duas instituições.


No entanto, preferiu não se posicionar em relação à postura do governo estadual. Ontem, o governador José Serra culpou os partidos políticos pelo tumulto.


— O fato de o governador culpar um partido é um fato político local. Não cabe ao Ministério da Justiça comentar o caso — afirmou.


Na opinião do ministro, as as manifestações em São Paulo e Porto Alegre — entre manifestantes que participavam da Marcha do Sem e a Polícia Militar — são questões de ordem pública resolvidas pelos governos dos Estados.


— É de responsabilidade do governante estadual exercer a repressão política sobre os movimentos sociais dentro da lei e da Constituição, respeitando os direitos das pessoas e evitando a violência.