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ANISTIA A GOULART É UMA
HOMENAGEM À DEMOCRACIA, DIZ CHINAGLIA |
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AGÊNCIA
CÂMARA 17/11/08 O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia,
afirmou que a anistia concedida ao ex-presidente João Goulart (Jango) é uma
reparação à memória do ex-presidente, aos seus familiares e a todos os
brasileiros que sofreram perseguição política e defenderam a democracia na
ditadura militar. A anistia foi aprovada no sábado pela Comissão de Anistia
do Ministério da Justiça, que se reuniu extraordinariamente em Natal (RN),
durante o 20º Congresso Nacional dos Advogados. A anistia se estende à viúva
de Jango, Maria Teresa Goulart. Segundo Chinaglia, que
participou da cerimônia, a anistia tem dimensão histórica porque trata de um
presidente cuja deposição, em 1964, marcou o início de uma época
caracterizada pela quebra da legalidade. - A deposição de Goulart foi o
primeiro ato grave cometido contra o país naquele momento - disse o
presidente da Câmara. A cerimônia de anistia foi agendada para 15 de novembro,
em homenagem à Proclamação da República e aos 20 anos da Constituição
brasileira, que restaurou a democracia e o direito de defesa no país. Com a decisão da anistia, a viúva de Goulart
receberá uma prestação mensal de R$ 5.425, valor médio do salário de um
advogado sênior. A Comissão da Anistia considerou que, por causa do exílio,
Jango foi impedido de exercer sua atividade profissional (ele era bacharel em
Direito). Goulart morreu no exílio em 1976, na Argentina. O valor da pensão é retroativo a 1999, o que
totaliza R$ 643,9 mil. Maria Teresa, que foi expulsa do país com seus dois
filhos e viveu no exílio durante 15 anos, também foi anistiada pelo
ministério e receberá uma indenização de R$ 100 mil. - Valor nenhum paga a dor e
o sofrimento de um cidadão que é banido pelo Estado - disse o presidente da
Comissão da Anistia, Paulo Abraão. Para o presidente da Câmara, a anistia a Goulart
terá repercussão positiva nos demais países da América do Sul, que também
tiveram ditaduras após o golpe militar no Brasil. O presidente do Conselho de
Colégios e Ordens de Advogados do Mercosul (Coadem),
Julio Balbiani, afirmou que a anistia concedida a
Goulart é mais uma etapa na consolidação do regime democrático na América do
Sul. |