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AMB APOIA
PUNIÇÃO PARA TORTURADORES DA DITADURA |
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O GLOBO 18/03/09 EVANDRO
ÉBOLI Os
ministros da Justiça, Tarso Genro, e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, conquistaram o apoio da Associação dos
Magistrados do Brasil (AMB) na defesa que fazem de punição para os militares
que atuaram como torturadores durante a ditadura militar. Para a entidade, é
preciso fazer uma adequada interpretação da Lei de Anistia que possibilite a
punição aos agentes do Estado que torturaram, mataram e desapareceram com
corpos de militantes de esquerda do país daquele período. Em evento no Clube
Militar, em agosto, os militares classificaram de extemporânea a proposta de
Tarso e Vannuchi. O
presidente da associação, Mozart Pires, levou nesta quarta-feira o apoio da
AMB a Tarso Genro, numa visita no Ministério da Justiça. -
A Lei de Anistia não pode ser um guarda-chuva que proteja os torturadores.
Temos o mesmo entendimento do ministro Tarso Genro - afirmou Mozart Pires. O
presidente da entidade entregou a Tarso um documento
aprovado pela AMB semana passada, no qual afirma que não é concebível uma
leitura da Lei de Anistia que "abrigue excludentes de responsabilidade
dos agentes que praticaram crimes contra humanidade no período da ditadura
militar". A
AMB analisa entrar como co-autora da ação impetrada pela Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) no STF em que pede que a tortura seja considerada crime comum
e não político, o que não permitira ser alcançada pela Lei de Anistia. "Não
é desejável a qualquer nação que sua história seja ficcional e construída
pelo esquecimento. Enquanto persistir a ocultação dos fatos ocorridos durante
a ditadura militar o direito à informação de cada cidadão e cada cidadã do
nosso país estará sendo violado", diz o documento da AMB. Para
o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, a moção de apoio aprovada
pela AMB é uma das mais importantes manifestações sobre o tema até agora. -
Nós, juristas, sabemos o quanto é raro advogados e juízes
criarem consenso em torno de uma tese, o que reforça que, do ponto de visto
eminentemente jurídico e técnico, está correta a interpretação de que a lei
de anistia não anistiou torturadores - disse Paulo Abrão. |