INDENIZAÇÃO MILIONÁRIA ALERTA
TCU
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JORNAL DO BRASIL 19/10/08
Tribunal
pretende investigar se Comissão de Anistia está concedendo pensões exageradas VASCONCELO QUADROS De olho nas indenizações milionárias,
o Tribunal de Contas da União (TCU) está questionando os critérios adotados
pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça na concessão de valores
mensais e retroativos como reparação econômica aos perseguidos durante o
regime militar. Os dois casos mais recentes em análise no TCU envolvem os
jornalistas Sérgio Jaguribe, o Jaguar, e Ziraldo
Alves Pinto, que dirigiam o extinto Pasquim e, pela alegada perseguição
durante a ditadura, foram beneficiados, cada um deles, em abril deste ano,
com uma bolada retroativa de R$ 1,2 milhão, além de R$ 4.365,88 mensais pelo
resto de suas vidas. O governo gastou com indenizações
concedidas nos últimos sete anos, em cerca de 10 mil casos julgados,
R$ 2,9 bilhões e paga, como reparação econômica mensal permanente,
mais de R$ 90 milhões. Na fila de julgamento, para conclusão até o final do
governo Lula, ainda se encontram outros 22 mil
processos. A auditoria do TCU nos processos que passaram pela Comissão de
Anistia começou no ano passado e já resultaram na abertura de quatro
processos para corrigir irregularidades. O primeiro deles, já acatado e
modificado pelo Ministério da Justiça envolve a ex-ativista Maria Augusta
Carneiro Ribeiro. Ouvidora da Petrobrás, no Rio, Guta reivindicava um
pagamento retroativo de R$ 1,5 milhão e mensalidade de R$ 8.200,00. A
Comissão de Anistia concordou com o questionamento do TCU e reduziu os
valores para R$ 600 mil e mensalidade de R$ 3.500,00. O caso é emblemático e
ilustra, segundo o ministro do TCU, Augusto Sherman
Cavalcanti, "as bases frágeis" usadas pelo Ministério da Justiça
para conceder indenizações que ainda passarão pela análise do órgão. No acórdão sobre o caso, o ministro Sherman aponta uma série de inconsistências: o valor foi
arbitrado com base numa declaração genérica, não houve confronto entre os
períodos da perseguição e o atual para se chegar às perdas econômicas
sofridas. Outro caso polêmico, ainda pendente,
envolve os ex-cabos da Aeronáutica, cujas carreiras foram encerradas em 1964 pela proximidade da categoria com o governo ex-presidente
João Goulart. São 3.700 processos, sobre os quais a Comissão de
Anistia considerou a tese de perseguição política contestada pelo Ministério
da Defesa. O ministro do TCU questionou o entendimento de que a portaria de
afastamento foi um ato de exceção e irritou o Ministério da Justiça. – O TCU pode questionar os cálculos, mas não
cabe a ele definir o que é ou não ato de exceção. Essa função é da Comissão
da Anistia. O ministro extrapolou da sua competência – diz o presidente da comissão, Paulo Abrão.
Ele admite, no entanto, que a lei é ruim por não prever o abatimento de outros ganhos
obtidos pelo anistiado (não foi o caso dos proibidos de trabalhar) e
diz que a comissão não criou meios para estimar as perdas do anistiado. Responsável pela mudança de critérios provocaram uma forte
redução no valor das indenizações, Abrão diz que só reformará casos anteriores à sua
gestão se houver decisão judicial. Exageros Ex-militante do movimento estudantil e
membro do antigo PCBR, preso por nove meses em Recife em 1970, o deputado
Pedro Eugênio (PT-PE), presidente da Comissão de Finanças e Tributação da
Câmara, é um dos raros ativistas que, por opção, não pediram a anistia. Ele
acha que "há exageros" na concessão de indenizações milionárias e
afirma que a busca pecuniária reflete na demora em se esclarecer pendências
dos anos de chumbo. – Acho que tira o foco do que
ficou pendente para se concentrar nas indenizações – diz o deputado. Pedro Eugênio critica o modelo de
cálculo que, segundo ele, criou duas classes de perseguidos. – Quem era operário foi julgado
com uma perspectiva de perda menor do que a de um advogado. Esse critério
criou uma diferença social – acrescentou. Preso e torturado, Pedro Eugênio tem
uma explicação simples por não ter pedido a reparação: – Quando entrei no processo de
luta contra a ditadura estava consciente do que poderia acontecer. Sabia dos
riscos – diz. |