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MILITAR QUE VIVE CLANDESTINO
NO PIAUÍ GANHA AÇÃO NA JUSTIÇA |
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CIDADE VERDE 19/12/08 Cabo Anselmo foi o responsável pela
rebelião de marinheiros, em março de 1964, no início da ditadura. Após viver 44 anos na clandestinidade e sem
documentos oficiais, Cabo Anselmo poderá voltar a ser José Anselmo dos
Santos, nome de batismo do homem responsável pela rebelião dos marinheiros,
em março de 64, que apressou a deposição do então presidente João Goulart e o
início da ditadura. A 8ª Vara da Justiça Federal de São Paulo concedeu
anteontem liminar para que a União forneça a Anselmo
sua certidão de nascimento, em poder da Marinha desde sua expulsão da
corporação, também em 64. Assim que notificada, a União terá cinco dias para
apresentar o documento ou uma justificativa para não fazê-lo. A decisão permitirá ainda que José Anselmo, que vive
clandestinamente no interior do Piauí, volte a ter carteira de
identidade e CPF, o que ele não possui desde a sua prisão, em 1964, quando
também foi cassado pelo AI-1. Sem os documentos, o ex-marinheiro de 67 anos, que
alega ser o único brasileiro não beneficiado pela Lei de Anistia, não pode
freqüentar o SUS (Sistema Único de Saúde), por exemplo, nem ter telefone em
seu nome ou abrir crediário. Odiado tanto à esquerda quanto à direita, José
Anselmo dos Santos é figura emblemática dos 21 anos de ditadura. Antes de mudar de lado, combateu o regime ao
integrar organizações como a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e o MNR
(Movimento Nacionalista Revolucionário), esta liderada por Leonel Brizola.
Foi o ex-governador gaúcho que intermediou a ida de Anselmo a Cuba para aprender
táticas de guerrilha. Também foi informante dos quadros da repressão, como
no Dops (Departamento de Ordem Política e Social), A defesa do ex-marinheiro entrou com mandado de
segurança com pedido de liminar na Justiça no início deste mês após tentar
por quatro anos a sua identidade na Comissão de Anistia, do Ministério da
Justiça, onde protocolou em 2004 processo em que
pede ainda reparação do Estado. A comissão, que previa julgar o caso neste
ano, deve fazê-lo no primeiro semestre de 2009. Há cópia da certidão do ex-marinheiro no 8º Distrito
Naval da Marinha, solicitada diversas vezes pela defesa, sem sucesso. Houve
tentativa também de reintegrá-lo à corporação, que nem resposta deu, segundo
o advogado Luciano Blandy. "Entramos na
Justiça porque não tivemos resposta. Ele ainda é um perseguido." E o cartório no qual foi registrado, |