FOLHA (*) TEM SAUDADES DA DITADURA

CONVERSA AFIADA 20/02/09

 

PAULO HENRIQUE AMORIM

 

Saiu na Folha (*) de ontem (19/02):


Ditadura
Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.

Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre “as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985″ (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.

A partir de que ponto uma “ditabranda”, um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma “ditabranda” ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?

É a “novilíngua”? Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.

É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário.”

SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)

 

Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

 

 

Saiu na Folha de hoje (20/02):

 

Ditadura
Lamentável o uso da palavra “ditabranda” no editorial “Limites a Chávez” (Opinião, 17/2) e vergonhosa a Nota da Redação à manifestação do leitor Sérgio Pinheiro Lopes (”Painel do Leitor”, ontem). Quer dizer que a violência política e institucional da ditadura brasileira foi em nível “comparativamente baixo’? Que palhaçada é essa? Quanto de violência é admissível? No grande “Julgamento em Nuremberg” (1961), o personagem de Spencer Tracy diz ao juiz nazista que alegava que não sabia que o horror havia atingido o nível que atingira: “Isso aconteceu quando você condenou à morte o primeiro homem que você sabia que era inocente”. A Folha deveria ter vergonha em relativizar a violência. Será que não é por isso que ela se manifesta de forma cada vez maior nos estádios, nas universidades e nas ruas?

MAURICIO CIDADE BROGGIATO (Rio Grande, RS)

 

“Inacreditável. A Redação da Folha inventou um ditadômetro, que mede o grau de violência de um período de exceção. Funciona assim: se o redator foi ou teve vítimas envolvidas, será ditadura; se o contrário, será ditabranda. Nos dois casos, todos nós seremos burros.”

LUIZ SERENINI PRADO (Goiânia, GO)

 

“Com certeza o leitor Sérgio Pinheiro Lopes não entendeu o neologismo “ditabranda”, pois se referia ao regime militar que não colocou ninguém no “paredón” nem sacrificou com pena de morte intelectuais, artistas e políticos, como fazem as verdadeiras ditaduras. Quando muito, foram exilados e prosperaram no estrangeiro, socorridos por companheiros de esquerda ou por seus próprios méritos. Tivemos uma ditadura à brasileira, com troca de presidentes, que não vergaram uniforme e colocaram terno e gravata, alçando o país a ser a oitava economia do mundo, onde a violência não existia na rua, ameaçando a todos, indistintamente, como hoje. Só sofreu quem cometeu crimes contra o regime e contra a pessoa humana, por provocação, roubo, sequestro e justiçamentos. O senhor Pinheiro deveria agradecer aos militares e civis que salvaram a nação da outra ditadura, que não seria a “ditabranda”.”
PAULO MARCOS G. LUSTOZA , capitão-de-mar-e-guerra reformado (Rio de Janeiro, RJ)


“Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala -que horror!

MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)

 

“O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.”

FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP)


Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.

 

A Folha (*) tem saudade da ditaDURA, com a qual manteve relações “carnais”, como diria o Carlos Menem.

 

É bem provável que o editorial se tenha inspirado na obra do colonista (**) e historiador Elio Gaspari, que escreveu 89 volumes (mas falta um …) para provar que a ditaDURA foi uma ditaBRANDA, regida por George Washington (Ernesto Geisel) e Thomas Jefferson (Golbery do Couto e Silva).Por um breve período, e para efeitos de um marketing que a distinguisse do Estadão, a Folha (*) fingiu que era de “esquerda”.

 

Para fazer os estudos de marketing (?), contratou o Cebrap (de Fernando Henrique e financiado pela Fundação Ford, ou seja, pela CIA), e José Serra, que se tornou seu eterno editorialista.

 

Leia sobre como Zé Pedágio se prepara para demitir a repórter Laura Capriglione

 

Com a eleição do Presidente Lula, caiu a máscara da Folha (*).

 

Ela entrou de cabeça no PiG (***) e trabalha incansavelmente para derrubar o presidente eleito duas vezes.

 

As relações da Folha com a ditaDURA são notórias.

 

Como demonstrou Beatriz Kushnir no livro “Cães de Guarda”, da Boitempo Editorial, a Folha (*) cedia as vans para o Doi-Codi fazer diligências, levar suspeitos para as sessões de tortura e fingir que se tratava de um carro de reportagem em atividade jornalística.

 

Um outro episódio merece ser relembrado.

 

E que, segundo um editor da Folha (*) na época, é o episódio que marca indelevelmente a relação submissa e sinistra da Folha (*) com os militares.

 

Por pressão do general Hugo Abreu, a Folha (*), sem opor qualquer resistência, demitiu o diretor de redação Claudio Abramo.

 

Coisa do “Seu” Frias, que por obra e graça de Zé Pedágio dá nome a uma ponte que desemboca na Avenida Jornalista (?) Roberto Marinho, que tem esse nome, por obra e graça da prefeita Martha Suplicy.

 

(O que, caro navegante, demonstra o que é a Chuíça (****): a ponte ‘seu” Frias leva à Avenida Jornalista Roberto Marinho – é a materialização do PiG, (**) o PiG (**) em concreto, ferro e asfalto. Viva a Chuíça (****).

 

Alexandre Gambirásio prontamente aceitou o lugar de Claudio Abramo.

 

Não deu.

 

Ele é italiano de nascença e “seu” Frias preferiu não correr o risco de os militares demitirem outro diretor de redação.

 

Escolheu, então, Boris Casoy.

 

Que se tornou preceptor de “Octavinho”, e a Folha (*) deu no que deu.

 

Vai acabar como o New York Times, sem nunca tê-lo sido.

 

Clique aqui para ler Mathias Molina no Valor sobre a derrocada do New York Times nas mãos de um herdeiro, Arthur Sulzberger, JR …

 

Em tempo: como se sabe, Arthur vendeu o New York Times ao Carlos Slim. O Octavinho ainda vai vender a Folha (*) ao Daniel Dantas (se é que já não vendeu)…

 

 (*)Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenhaclique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.

 

(**)colonistas. Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

 

(***)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

 

(****) Chuíça é o que o PiG (***) de São Paulo quer que o resto do Brasil pense que São Paulo é: uma combinação do dinamismo econômico da China com o IDH da Suíça.