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UNIÃO ASSUME A DEFESA DE ACUSADOS DE TORTURA NA DITADURA |
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O GLOBO
21/10/08 RICARDO
GALHARDO A
União assumiu a defesa dos coronéis da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel, alvos de ação civil pública ajuizada pelo
Ministério Público Federal (MPF) pela tortura de presos políticos e a morte
de pelo menos 64 deles entre 1970 e 1976, período em que comandaram o
Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI/Codi) do Exército. Na
prática, segundo fontes do Ministério Público, significa que o governo optou
pela defesa dos acusados, quando poderia se manter
neutro ou até mesmo se posicionar a favor das punições. Agora a União também
é ré na ação. Este
ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o secretário nacional de Direitos
Humanos, Paulo Vannuchi, chegaram a se manifestaram
a favor da punição aos torturadores, mas foram
desautorizados pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que teria manifestado
opinião do presidente Lula. Na
contestação de 44 páginas apresentada em 14 de outubro pela Advocacia Geral
da União à 8º Vara Federal Cível de São Paulo, a advogada Lucila Garbelini e o procurador-regional da União A
ação do Ministério Público contra Ustra e Maciel é
a primeira a contestar a validade da Lei da Anistia para acusados de tortura.
Na ação, os procuradores federais Marlon Weichert e
Eugênia Fávero pedem que Ustra e Maciel restituam à
União todo o dinheiro pago em indenizações a vítimas de tortura no DOI/Codi, principal centro de
repressão política Até
intimidade das vítimas vale como argumento Na
contestação, a Advocacia Geral da União cita a proteção à intimidade das
vítimas de tortura como argumento para defender os ex-comandantes do DOI/Codi. -
É necessário ao Estado preservar a intimidade de pessoas que não desejam
'reabrir feridas', isto é, não gostariam que determinados fatos do período de
exceção viessem a lume - afirmam os advogados. Além de indenização, a ação do Ministério Público
pede que a União forneça os nomes de todos os que passaram pelo local, a
identificação dos torturados, a identidade dos mortos dentro do DOI/Codi ou em ações externas de seus agentes, as
circunstâncias das mortes, o destino dos corpos, os nomes dos torturadores, a
responsabilização pública de Ustra e Maciel e a
perda das funções públicas eventualmente exercidas por ambos. Maciel
está morto. Em outras ações movidas por vítimas da repressão política das
quais foi alvo, Ustra disse que apenas cumpria
ordens. No início do mês, porém, ele foi declarado torturador pela Justiça em
uma decisão inédita no país |