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PROCURADORIA VAI DENUNCIAR MILITARES POR SEQUESTROS DURANTE DITADURA |
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FOLHA DE
S.PAULO 22/01/09 ANA FLOR
No
único inquérito aberto no país para apurar criminalmente ações do regime
militar, o procurador da República de Uruguaiana (RS) Ivan Cláudio Marx
solicitou à Polícia Federal a investigação do desaparecimento de dois
militantes de esquerda, o ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas
e o padre argentino Jorge Oscar Adur. Os
dois desapareceram em 1980, quando cruzavam a fronteira entre Paso de Los Libres
(Argentina) e Uruguaiana. Os
crimes foram possíveis graças à Operação Condor, que reuniu ditaduras do Cone
Sul contra opositores. A ação busca uma pena por sequestro
e pode incluir tortura e homicídio. O
caso de Viñas está entre os de cidadãos de origem
italiana que desapareceram durante a ditadura na América do Sul. A Justiça da
Itália indiciou 13 militares brasileiros. Em 2007, o país pediu ajuda ao
Brasil para que os acusados ainda vivos fossem julgados. Entre eles,
responsáveis à época pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) e um
ex-secretário de Segurança do Rio Grande do Sul. O
desaparecimento de Viñas no Brasil foi reconhecido
pelo governo, que pagou indenização. "É a primeira tentativa de uma ação
penal sobre crimes cometidos por militares durante a ditadura militar",
diz Marx. O
procurador já tem material para apresentar a denúncia, mas poderá ainda
reunir as provas da promotoria italiana. O principal argumento para a Justiça
rejeitar o pedido é o de os desaparecimentos terem prescrito. Promotores
argumentam que crimes contra a humanidade, como o desaparecimento, não
prescrevem. Em
outubro, em ação declaratória --que não prevê punição--, o coronel reformado
Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi nos anos 70, foi reconhecido como torturador
pela Justiça de São Paulo, em primeira instância. |