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O POVO
22/05/09
PEDRO ALVES
A
decisão significa um pedido formal de desculpa do Estado do Ceará à família
do guerrilheiro morto no Araguaia, em 1972. A indenização aos familiares será de R$
30 mil
A Comissão Especial de
Anistia Wanda Sidou
indenizou ontem a família o guerrilheiro cearense Bergson
Gurjão de Freitas, estudante da Universidade
Federal do Ceará (UFC) e militante político morto por militares na Guerrilha
do Araguaia, em 1972. A
família receberá R$ 30 mil do Estado do Ceará. O parecer favorável ao pedido
de indenização foi dado pelo conselheiro Eurico Gadelha e seguido pelos
demais membros da Comissão, que inclui representantes de secretarias
estaduais, do Poder Legislativo e do Conselho Regional de Medicina.
“O mais importante de tudo é o pedido de desculpa ao meu irmão e à
nossa família, que hoje ficou oficializado pelo Estado do Ceará, em função
das atrocidades cometidas contra ele. O dinheiro não tem condições de nos
indenizar, porque nada pode superar a dor da perda de nosso irmão”,
comentou uma das irmãs, Tânia Gurjão
Farias, após o julgamento do caso, ontem, pela Comissão Especial de
Anistia Wanda Sidou, que
acatou o pedido de reparação de danos. A indenização é concedida pelo Estado
37 anos depois do assassinato de Bergson.
Segundo Tânia, a preocupação da família agora é em localizar o que ainda existe
do corpo de Bergson, para que possa ser velado e
enterrado dignamente. Uma ossada arquivada no Ministério da Justiça,
denominada X-2, é associada por peritos ao guerrilheiro cearense. Mas há
controvérsias. “A altura do esqueleto não bate com a altura que meu
irmão tinha”, desconfia Tânia Gurjão. O
vice-reitor da UFC, Henri Campos, sinalizou que trabalhará para enviar um
perito da Universidade à Brasília para acompanhar o processo de identificação
da ossada, que permanece incompleto.
“Exemplo de patriotismo”, “corajoso” e
“herói” foram elogios constantes no julgamento, realizado no
auditório Presidente Castello Branco, na UFC.
Colega de militância estudantil nos tempos idos da década de 1970 na UFC, o
militante Carlos Augusto Matias, do PCdoB,
leu uma mensagem enviada pelo presidente nacional do partido, Renato Rabelo,
em que disse que o partido “se curva” ao exemplo de patriotismo
dado por Bergson.
Desculpa
O sociólogo e advogado formado pela UFC, Pedro Albuquerque, que lutou no
Araguaia ao lado de Bergson, declarou que a própria
Universidade deveria fazer um pedido de desculpas oficial a todos os
ex-alunos perseguidos no período da Ditadura Militar. Segundo ele, foi
através do decreto-lei 477 que a Universidade legitimou a perseguição
expulsão de vários alunos que atuavam na militância política. Segundo
Albuquerque, o vice-reitor Henri Campos disse que levaria a proposta de
desculpas ao reitor Jesualdo Farias.
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