PARA MILITARES, QUESTIONAMENTO SOBRE GRUPO
DE TRABALHO É POLÍTICO
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CRUZEIRO ONLINE 22/06/06 A divulgação da nota da
Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos questionando o grupo
de trabalho criado pelo Ministério da Defesa, para tentar encontrar vestígios
dos mortos na Guerrilha do Araguaia, causou surpresa e irritação entre os
militares pelo seu uso político. Primeiro, pelo atraso com que a queixa está
sendo apresentada - quase dois meses depois da publicação do ato que criou o
GT - e, segundo, pelo uso do que chamam de
oportunismo político da iniciativa, que se aproveita da divulgação de
arquivos do oficial da reserva Sebastião Curió para tentar criar nova
polêmica com os militares sobre o tema, principalmente porque, o convite aos
familiares já havia sido feito pelo ministério da Defesa, há quase 20 dias. Embora
nas Forças Armadas oficiais lembrem que o grupo não foi criado por iniciativa
do Executivo, mas sim para cumprir uma determinação judicial, que determinou
sua composição, o Ministério da Defesa informou, por meio de nota, que os
familiares dos mortos, por iniciativa do ministro Nelson Jobim, já foram
convidados, "no dia três de junho, em reunião, da qual participaram 14
integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos,
entre eles, o presidente da Comissão, Marco Antonio Rodrigues Barbosa",
que redige a nota com a reclamação.
A Defesa lembra ainda que
a portaria da Defesa já prevê a participação dos
Governos do Estado do Pará e do Distrito Federal como membros permanentes do
grupo, além de outros órgãos e entidades. "Já foram convidados a compor
o grupo responsável pelos trabalhos técnicos peritos da Polícia Federal das
áreas de geologia, medicina legal e odontologia, antropólogos do Museu Emílio
Goeldi (vinculado ao Ministério da Ciência e
Tecnologia), bem como peritos da Polícia Civil do Distrito Federal das áreas
de medicina legal, antropologia forense e pesquisa forense de DNA",
prossegue a nota. Sobre a divulgação dos
arquivos de Curió, há diferentes tipos de opiniões entre militares que
integram a cúpula das Forças Armadas. Mas todos são unânimes em insistir na
tese que o Exército não tem documentos guardados para serem entregues, embora
todos também reconheçam que, a exemplo de Curió, muitos outros militares
levaram para suas casas documentos históricos. Entre as opiniões sobre o
que foi divulgado por Curió, há oficiais que entendem que quanto mais se
abrir, quanto maior for o esforço para se descobrir alguma coisa, melhor
porque será mais um caminho para se encerrar de uma vez por todas a polêmica
Há, no entanto, os que acham que isso só serve para "alimentar" a esquerda e até mesmo incentivar os que insistem que é
preciso reabrir as questões do passado, inclusive falando em revisão da
anistia. Mas
os militares são unânimes também em avisar que não aceitarão, em hipótese
alguma, que se revise a Lei de Anistia, como chegou a ser aventado por
integrantes do Ministério Público Eles insistem que os crimes já estão
prescritos e que não há motivos para que sejam reabertos os casos.(AE). |