UNIÃO SAI EM DEFESA DE TORTURADORES DA DITADURA MILITAR

 

RADIOAGÊNCIA NP 23/10/08

 

JULIANO DOMINGUES

 

 

A União assumiu a defesa dos coronéis da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel. Os dois ex-militares são alvos de ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) que pede o reconhecimento das práticas de tortura e a responsabilização pela morte de pelo menos 64 pessoas durante a ditadura militar. Ustra e Maciel foram comandantes do DOI/Codi entre os anos de 1970 e 1976.


A atitude da União veio depois que o Fórum da Justiça de São Paulo considerou Ustra responsável pelas torturas sofridas pela família Teles. A família é autora de uma das ações movidas contra o coronel.


Segundo a advogada especialista em Direito Constitucional e Direitos Humanos, Flávia Piovesan, a atitude de defesa por parte do Estado acontece porque está ação, apesar de ter sido apenas declaratória, abre um precedente para que se possa avançar no reconhecimento, e quem sabe, na punição dos militares que praticaram crime durante o regime.


“A ação foi proposta contra um indivíduo especificamente singularizado, contra um agente do Estado, e não se pediu indenização ou verba, mas o reconhecimento oficial desta história brasileira. Trata-se de um excelente precedente para que possamos abrir essa agenda de direitos humanos no Brasil.”


O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a defender a decisão adotada pelo Fórum. No entanto, o aval para que a União assumisse a defesa dos militares partiu do ministro da Defesa, Nelson Jobin, e do próprio presidente Lula.


A União defende a tese de que a Lei da Anistia de 1979 protege os coronéis. Já as famílias vítimas dos torturadores querem que a lei seja reinterpretada, pois tortura e assassinato não são crimes capazes de serem anistiados.