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TARSO CONTESTA PARECER DA AGU
SOBRE TORTURA E LEI DA ANISTIA |
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O ESTADO
DE S.PAULO 23/10/08 Parecer
beneficia diretamente os coronéis do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra
e Audir Santos Maciel VANNILDO MENDES O ministro da Justiça, Tarso Genro , contestou o
parecer da Advocacia Geral da União (AGU) que considera perdoados pela Lei da
Anistia os crimes de tortura cometidos durante o regime militar.
"Equiparar tortura a delito político contraria toda a jurisprudência
internacional e os juristas sérios que tratam do assunto", afirmou o
ministro. No entender de Tarso, o parecer da AGU reflete
uma posição "tradicional" e "de natureza técnica" de uma
ala do governo, mas afronta princípios fundamentais de direitos humanos
previstos na Constituição. "Eu respeito, mas não concordo", disse. O parecer da AGU beneficia diretamente os
coronéis reformados do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos
Maciel, acusados, em processo que corre na Justiça de São Paulo, de violações
de direitos humanos, como tortura, assassinatos e desaparecimentos durante o
regime militar. A interpretação coloca Tarso Genro e o chefe da
Secretaria de Direitos Humanos, ministro Paulo Vannuchi, em rota de colisão
com a ala do governo liderada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim,
contrária a uma revisão da Lei da Anistia, editada em 1979 para permitir a
punição de militares acusados de prática de crimes nos governos militares. Apesar da ordem do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para que evite reabrir feridas políticas com o pessoal da
caserna, Tarso afirmou que amparar torturadores é o mesmo que legitimar
o terrorismo. "Se um terrorista pega uma bomba, em nome de uma idéia, e
a coloca numa escola para matar crianças, isso também pode ser considerado
crime político?", indagou o ministro. E ele próprio respondeu: "Em
nenhuma hipótese. Aliás, as duas coisa são equivalentes e bárbaras." Segundo o ministro, não procede o temor no meio
militar de que alguém vá para a prisão se a lei de anistia for
reinterpretada. "Isso é outra questão, que pode ser tratada num segundo
momento, através do perdão, da prescrição ou coisa que o valha",
observou. A questão que se coloca, a seu ver, é incorporar o país na concepção
de democracia, em vigor nos países desenvolvidos, segundo a qual crimes dessa
natureza não são políticos. "Esse entendimento é importante para a
construção da ordem democrática no Brasil". O ministro da Justiça reconheceu que a AGU tem
autonomia e não é obrigada a aceitar a orientação do Ministério da Justiça
sobre o tema. Do mesmo modo, ele acha que o advogado Luiz Antônio Toffoli não
se dobrou à orientação do Ministério da Defesa, uma vez que, a seu ver, a
questão não diz respeito às Forças Armadas. "Pelo contrário, (punir
torturadores) salvaguardaria as Forças Armadas", disse Genro. Isso
demonstraria, no entender do ministro, que o delito foi cometido por um
agente que se excedeu ilegalmente no exercício do mandato confiado pelo Estado:
"Ele (o torturador) se comportou como se não fosse integrante das Forças
Armadas, que jamais adotariam essa atitude como política institucional."
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