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BRASIL TERÁ QUE DAR EXPLICAÇÕES NA OEA SOBRE LEI DE ANISTIA |
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O GLOBO
23/10/08 EVANDRO
ÉBOLI O
governo brasileiro foi convocado oficialmente para prestar esclarecimentos na
Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a interpretação de que a Lei
de Anistia impede a punição de torturadores que atuaram durante a ditadura
militar. O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, irá citar, no seu
relato na entidade, a decisão do governo de defender judicialmente, através
da Advocacia Geral da União (AGU), os coronéis da reserva Carlos Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel, como revelou na quarta-feira O GLOBO. Abrão
será uma das autoridades do governo a tratar do assunto na OEA na próxima
semana. A
convocação para o Brasil para se explicar na Comissão Interamericana de
Direitos Humanos da OEA é decorrente de uma denúncia da organização
não-governamental Center for Justice and International Law (Cejil). A
ONG alegou, em ofício encaminhado à entidade, que a Lei de Anistia permanece
como um obstáculo à "realização da Justiça e ao direito à verdade sobre
as graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar
brasileira". Paulo
Abrão lamentou a decisão da Advocacia Geral da União (AGU) de atuar a favor
de Ustra e Maciel. -
Não era o que esperávamos que acontecesse. O que esperávamos era que o Brasil
reconhecesse os atos de tortura - disse Abrão ao GLOBO, antes de embarcar
para os Estados Unidos. O
presidente da comissão afirmou ainda que essa convocação do governo pode resultar numa responsabilização do Estado brasileiro.
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É o primeiro passo para uma eventual responsabilização internacional do
Brasil por abrigar essa interpretação equivocada da Lei da Anistia. O
presidente elogiou a decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de
ajuizar uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que essa Corte
declare que os crimes praticados por agentes de Estado no período militar não
sejam acobertados pela Lei de Anistia. -
É uma ação muito bem-vinda. Na
OEA, Abrão dirá ainda que a Justiça brasileira já declarou
o coronel Ustra oficialmente um torturador. O presidente
da comissão não estará sozinho na audiência e será acompanhado por
representantes do Itamaraty e da Secretaria de Direitos Humanos. |