DIÁRIO DO NORDESTE 24/12/08
O
governo do Estado pagou, na tarde de ontem, R$ 760
mil em indenizações a 37 anistiados políticos que sofreram torturas em
dependências administrativas do Ceará. Em solenidade realizada no Palácio
Iracema, o governador Cid Gomes fez um discurso rápido porém
emocional e pediu perdão aos que "foram perseguidos e sofreram danos por
lutarem por suas teses, seus ideais".
Para um auditório repleto de anistiados ou familiares daqueles já falecidos,
Cid Gomes lembrou que em 1968 — ano emblemático durante o Regime
Militar e que registrou a promulgação do Ato Institucional Número Cinco
(AI-5) — tinha apenas cinco anos. "Mas sei que muitos foram
perseguidos, deixaram faculdade ou nunca mais retornaram", disse,
enfatizando que a liberdade é um bem inalienável, está acima do capitalismo e
do socialismo.
Assim como o governador, o secretário de Justiça e Cidadania, Marcos Cals, afirmou que o valor das indenizações — que
variaram entre cinco mil a 30 mil reais — era simbólico. "Mas, o
pagamento dessas indenizações é muito importante pela materialização do
registro que fica para a história e para que os jovens possam tomar
conhecimento de quem foram as pessoas que no passado
contribuíram para a democracia que estamos vivendo hoje", citou,
lembrando que o período natalino é muito propício, ainda, para que se apaguem
todas as mágoas provocadas por acontecimentos do passado.
Coube ao deputado federal Francisco Lopes falar em nome dos anistiados e
ressaltou a importância da lei da anistia. Já o presidente da Comissão
Especial de Anistia Wanda Sidou,
Mário Albuquerque, ratificou a importância do pedido de desculpa formal do
Estado.
Além do deputado, também foram indenizados: Antônio Augusto Martins de
Medeiros, Antônio Cauby Damasceno (falecido), Antônio Paulino da Silva, Carlos
César Uchoa Barreto, Astrolábio Batista, Clodoaldo Pinto de Castro, Durval Aires de Menezes (falecido), Edna Veras Ferreira, Evilásio Gonzaga da Rocha, Francisco Derly
Pereira, Francisco Edson Pereira, Geraldo Magela
Lins Guedes, Gil Fernandes Sá, Gilberto Telmo
Marques e Hugo de Paiva Bezerra, dentre outros.
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