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OEA PEDE EXPLICAÇÕES AO BRASIL SOBRE LEI DE
ANISTIA |
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AGÊNCIA ESTADO
25/10/08 O governo brasileiro terá de dar explicações à
Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a aplicação da Lei de Anistia.
A audiência, que será na segunda-feira, foi solicitada pela ONG Center for
Justice and International
Law (Cejil), que argumentou à OEA que a legislação
referente ao assunto é interpretada de forma equivocada no País. A principal
crítica do Cejil diz respeito ao recente parecer da
Advocacia-Geral da União (AGU), segundo o qual crimes de tortura cometidos
durante a ditadura militar teriam sido perdoados pela Lei de Anistia. A decisão gerou forte polêmica, com o ministro da
Justiça, Tarso Genro, posicionando-se contrariamente à interpretação da AGU,
enquanto seu colega da Defesa, Nelson Jobim, é visto como favorável ao
entendimento. Participarão da reunião representantes do
Ministério da Justiça, da Secretaria de Direitos Humanos e do
Itamaraty. O Cejil lembra, em seu
pedido de convocação, que as cortes internacionais já declararam que crimes
de tortura são imprescritíveis e não passíveis de anistia. "A interpretação da AGU complica, em muito, nossa
defesa. A posição do Ministério e da Comissão de Anistia é a mesma das cortes
internacionais, segundo as quais crimes de tortura não são políticos, mas
delitos contra a humanidade", afirmou o presidente da Comissão de
Anistia, Paulo Abrão Pires, que será um dos representantes do governo na
audiência, em Washington, na sede da OEA. A audiência na Comissão Interamericana de Direitos
Humanos da organização não representa condenação formal ao Brasil. Trata-se,
apenas, de um encontro para explicações. Ao menos em tese, segundo Pires, o
País pode ser condenado se prevalecer no Supremo Tribunal Federal (STF) o
entendimento de que crimes de tortura foram cobertos pela Lei de Anistia. O
conselho federal da OAB pediu que a corte se posicionasse sobre o tema. Dois
ministros já disseram que anistia é passar uma borracha no passado. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo. |