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COMISSÃO DE ANISTIA JULGA CASOS DE PESSOAS EXPULSAS DE UNIVERSIDADES
DURANTE DITADURA |
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AGÊNCIA BRASIL 26/02/09 VLADIMIR
PLATONOW
A
Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (MJ) julga amanhã (26), na sede
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, 21 casos de pessoas
atingidas pelo Decreto-Lei 477.
Para
o presidente da Seccional da OAB no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, o Decreto 477 aniquilou carreiras e interrompeu a formação de jovens
talentos promissores. “O
decreto deixou uma marca lamentável na história da universidade brasileira.
Colocou para fora estudantes brilhantes e impediu a pesquisa científica ao
perseguir e expulsar professores”, afirmou o presidente da OAB. Damous
era líder estudantil e chegou a ser processado com base no decreto, sendo
absolvido por falta de provas: “É importante relembrar esses fatos,
para que nunca mais haja na história brasileira um decreto como o O
período que se seguiu à edição da medida é considerado como “o AI-5 dos
estudantes”, segundo o presidente da União Nacional dos Estudantes
(UNE) à época, Jean Marc van
der Weid. “Foi
a forma que eles conseguiram para dar legalidade a
um processo de perseguição política dentro das universidades, de dizimar a
atividade do movimento estudantil”, contou Weid. “Fecharam-se
centenas de diretórios acadêmicos, muitas lideranças foram colocadas para fora
das universidades e inclusive professores, pegando os pólos progressistas que
existiam, sobretudo no eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte. Foi uma limpada de área e serviu
para a intimidação”, lembrou o ex-presidente da UNE, que chegou a ser
preso pelos militares e ficou nove anos exilado. Segundo
Weid, embora o número de prejudicados não seja
oficialmente conhecido, o levantamento feito na ocasião pela UNE chegava a
cerca de 200 professores e mil estudantes, sendo que muitos acabaram aderindo
à luta armada e terminaram presos ou mortos. Para
a atual presidente da UNE, Lúcia Stumpf, que sequer
era nascida na década de 60, apesar dos estragos feitos pelo Decreto
477, o objetivo dos militares não foi alcançado, pois as universidades
continuaram a representar o pensamento de oposição ao regime. “O
decreto serviu para responder ao movimento que acontecia na universidade
brasileira naquele período, freqüentada por jovens que eram grandes ativistas
na luta contra a ditadura. Tentou calar a resistência do movimento
estudantil, afastando os considerados subversivos, mas não conseguiu cumprir
o seu objetivo, pois não calou os estudantes, que foram mais bravos que o
regime militar”, disse Lúcia. Os 40 anos do Decreto 477 serão lembrados amanhã a
partir das 10h, na sede da OAB-RJ, no centro do Rio, em sessão aberta ao
público. Entre os presentes, estará o ministro Paulo Vanucchi,
da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Na sequência, ocorre o julgamento, pela Comissão de Anistia
do MJ, de casos de pessoas que tiveram direitos cassados pelo decreto. |