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BRASIL TERÁ QUE SE
EXPLICAR À OEA POR PERDÃO A TORTURADORES |
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JORNAL DO
BRASIL 26/10/08 VASCONCELO
QUADROS A Comissão Interamericana dos Direitos
Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) vai questionar, a
partir desta segunda, a posição do governo brasileiro pela omissão na
investigação e punição de agentes do Estado envolvidos com a prática de tortura
contra ativistas políticos durante o regime militar. As explicações serão dadas pelo
presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Pires
Abrão, em Washington, na primeira audiência sobre o tema. Favorável a uma
nova interpretação da Lei de Anistia, que permita a punição de torturadores,
Abrão admite que a OEA pode abrir um processo para
condenar o governo brasileiro. A audiência foi provocada por uma
organização não-governamental (ONG) internacional, a Center for Justice and International Law (CEJIL),
que acusa o governo brasileiro de fazer uma interpretação equivocada da lei
de anistia para evitar choque com as Forças Armadas. Segundo a entidade, a
tortura é um crime de lesa-humanidade, imprescritível e não anistiável. A
tese é simpática aos ministros da Justiça, Tarso
Genro, e da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, mas divide o governo. A principal resistência encontra-se na
figura do ministro da Defesa, Nelson Jobim que, em agosto do ano passado, no
lançamento do livro Direito à Memória
e à Verdade, no Palácio do Planalto, chegou a ensaiar uma iniciativa
de elucidar as pendências da ditadura, mas, diante de um princípio de crise
militar, recuou. Jobim tem o amparo da Advocacia Geral da União (AGU), que
tem questionado as tentativas de esclarecimento do período militar. O
presidente Lula já declarou que a polêmica deve ser respondida pela Justiça. Avanços O presidente da Comissão da Anistia vai
informar a CIDH da OEA sobre o andamento de processos no Brasil. Ele dará
explicações sobre o trabalho que o Ministério da Justiça vem fazendo na
concessão de anistia a perseguidos políticos e as indenizações; as ações
impetradas por familiares de desaparecidos que correm na 8ª Vara da Justiça
Federal Embora haja resistência dentro do
próprio governo, Abrão acha que a luta pelo esclarecimento dos crimes da
ditadura está avançando. Caso o STF não concorde com a
interpretação da OAB – que invoca os acordos internacionais em que o
Brasil se compromete a combater os crimes de lesa-humanidade – a
simples abertura de um processo na OEA pode pressionar o governo a tomar uma
decisão política que permita uma investigação sobre o paradeiro de 133
ativistas políticos desaparecidos – 70 deles do PC do B, mortos na
Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975. Os procuradores da República Eugênia
Fávero e Marlon Weichert acham que uma das
alternativas é a Comissão da Verdade, que pode ser criada pelo governo ou
pelo Congresso através de decreto. Os trabalhos de investigação começariam,
segundo eles, pela atuação dos DOI-CODI que funcionaram |