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LULA DIZ QUE
LEI DE ANISTIA NÃO SERÁ DISCUTIDA PELO EXECUTIVO |
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TERRA 27/02/09 Em
julho de 2008, o ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu a
responsabilização civil de militares que praticaram tortura durante a
ditadura e afirmou que a prática constitui crime comum - e não político - o
que retiraria os casos do alcance da Lei de Anistia. As declarações, dadas
por Genro durante encontro promovido pela Comissão de Anistia do Ministério
da Justiça, e endossadas pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos,
Paulo Vanucchi, geraram uma crise entre governo e
militares, que acusaram o ministro da Justiça de revanchista. Lula disse que
a Lei de Anistia não seria discutida pelo Executivo. A
temperatura aumentou e o Clube Militar, que reúne militares aposentados,
pressionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a desautorizar Tarso Genro.
"Se
houvesse mesmo interesse em debater problemas nacionais, os dois ministros
deveriam optar por algo mais atual e que incomoda em maior intensidade: os
inúmeros escândalos protagonizados por figuras da cúpula governamental ou,
ainda mais recente, a gravíssima suspeita de envolvimento de alguns deles com
as Farc", dizia carta firmada pelos presidentes
dos clubes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha, em resposta aos ministros. Silêncio
na Esplanada
"O
presidente pode dar puxão de orelha em qualquer ministro. Isso é de sua
competência. Mas eu não levei puxão de orelha", disse, na época Tarso
Genro. Meses
depois, contudo, o próprio ministro reacendeu a discussão ao contestar
parecer da Advocacia Geral da União (AGU) considerando perdoados pela anistia
os crimes de tortura cometidos durante o período do regime militar. "Equiparar tortura a delito político contraria toda a jurisprudência internacional e os
juristas sérios que tratam do assunto - disse o ministro, rebatendo o parecer
que beneficiava diretamente os coronéis reformados do Exército Carlos Alberto
Brilhante Ustra e Audir
Santos Maciel. Ambos eram acusados, em processo que tramitava na Justiça de
São Paulo, de violações dos direitos humanos durante a ditadura. O
posicionamento da AGU refletiu a orientação do presidente Lula sobre o
assunto. |